Da Redação com assessoria
O meia Souza, do Brasiliense, foi detido pela Polícia Federal e levado para a superintendência da corporação em Brasília na tarde desta quinta-feira (2/3). O jogador estava em pleno aquecimento, no estádio Abadião, em Ceilândia, onde o time disputaria a partida contra o Paracatu, marcada para as 16h.

(Foto: Divulgação Brasiliense)

O motivo da prisão são “crimes contra a ordem tributária” por suposta sonegação de tributos federais referentes aos direitos de imagem declarados pelo jogador à Receita Federal. O mandado foi expedido pela Justiça de São Paulo. O jogador responde a dois processos de execução fiscal na Justiça Federal paulista. Em um deles, o valor da causa é de R$ 109.875,97. No outro, a cifra chega aos milhões: R$ 5.143.497,92

Pouco antes do jogo, dois agentes da PF chegaram ao vestiário, onde Souza e o restante do grupo se aqueciam. A situação pegou os atletas de surpresa e o meia, que estava relacionado para o duelo, não pôde entrar em campo.

Prisão preventiva

A juíza federal substituta Silene Pinheiro Cruz Minitti, da 1ª Vara Federal, 5ª Subseção Judiciária em São Paulo, decretou a prisão preventiva do jogador em novembro do ano passado. Na decisão, a magistrada diz que, apesar das insistentes tentativas, Souza não foi encontrado nos endereços apresentados no processo.

Silene afirma ainda que, embora seja uma figura conhecida no meio esportivo, Souza não tem dados e endereço atualizados nos órgãos competes, o que leva a crer que “assim age de forma premeditada a fim de não ser localizado pelas autoridades”. “A fraude narrada nos autos é vultosa e o descaso do acusado para com suas obrigações civis e penais, resta evidenciada”, anotou.

Na avaliação da juíza, a prisão seria necessária “para a garantia da instrução e da aplicação da lei penal”. “Deve-se considerar, ainda, que o crime em questão é doloso e punido com pena superior a quatro anos. Necessária, portanto, a decretação de sua custódia cautelar.”

Direito de imagem
Segundo João Chiminazzo, advogado desportivo que acompanha a carreira do Souza desde 2012, “foi realizada uma prisão preventiva, que não caracteriza crime. O Souza, quando jogou no São Paulo, no Grêmio e no Fluminense, tinha um contrato de imagem e eles estão contestando os valores declarados do jogador.”

O advogado explica que a intimação ocorreu por edital e foi publicada no Diário Oficial da União. Segundo Chiminazzo, o fato de o atleta ter defendido vários clubes nos últimos anos dificultou o acesso a ele. “Podemos dizer que há semelhança com o caso de outros jogadores de futebol (como Neymar e Messi). O Fisco entende que é uma forma de burlar as regras tributárias”, completou.

Souza vai passar a noite na carceragem da Polícia Federal. A expectativa é que ele seja liberado na sexta-feira (3). “Já providenciamos cópias dos contratos de trabalho, da residência e da escola do filho dele. Ele está tranquilo e em nenhum momento se furtou de receber o mandado de prisão preventiva”, disse o advogado.

Solidariedade
O atacante Nunes compareceu à sede da Polícia Federal para prestar solidariedade ao colega. Nunes, que participou da vitória por 1 x 0 sobre o Paracatu, chegou após o horário de visitação e, portanto, não conseguiu falar com o companheiro de equipe.

Souza já teve passagens por clubes como São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Portuguesa e Ceará. No exterior, atuou pelo Libertad, no Paraguai, e pelo Paris Saint Germain (PSG), na França. Em 2016, disputou a temporada pelo Passo Fundo (RS). Em novembro do ano passado, foi contratado pelo Brasiliense.