Brasil marcou 24 gols desde que Tite assumiu a seleção. (Divulgação/CBF)

Neymar e Philippe Coutinho infernizaram a defesa do Paraguai na partida desta quarta-feira à noite pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em São Paulo. A dupla levantou a torcida na Arena Corinthians e foi responsável em manter o aproveitamento de 100% de Tite à frente da seleção brasileira. A vitória de 3 a 0 foi a oitava pelas Eliminatórias desde que o treinador assumiu o lugar de Dunga. Quando isso aconteceu, o Brasil estava fora da zona de classificação e muita gente duvidava se chegaria ao Mundial de 2018. Era um Brasil desacreditado. Não é mais.

Tite amplia sua sequência de vitórias seguidas em Eliminatórias de Copa para oito jogos, um recorde. Com 33 pontos depois de 14 rodadas, o Brasil já não pode mais ser alcançado pelo sexto colocado, o Equador, que terminou a jornada sul-americana com 20 pontos. Se ganhar os outros 12 em disputa até o fim das Eliminatórias, chegará aos 32. A quinta colocação é a posição da repescagem na competição.

O Brasil volta a campo em junho, em amistosos na Austrália. Em agosto, o time encara o Equador e depois a Colômbia pelas Eliminatórias.

Em São Paulo, onde o torcedor sempre foi mais crítico ao trabalho da seleção, a equipe foi recebida com festa e aplausos. Os ‘corintianos’ da seleção, claro, foram os mais ovacionados, como Fagner, Paulinho e Renato Augusto, além do técnico Tite. Nem o fato de o Brasil demorar para engrenar foi suficiente para a perda de confiança.

O Paraguai, do técnico Arce, adiantou sua marcação e tentou, por vezes, induzir o Brasil ao erro na saída de bola. Também travou as beiradas do campo, impedindo que os laterais brasileiros avançassem com facilidade. A primeira boa chance de gol foi da equipe visitante, com Derlis González, em arrancada livre, mas com chute torto.

Aos poucos, a seleção foi se ajeitando na Arena Corinthians, sem pressa, com boa participação de Philippe Coutinho, pela direita, e Neymar na esquerda. O melhor jogador do Brasil apanhou bem também, com algumas faltas seguidas. Numa delas, tentou bater de longe para o gol, mas sem perigo para o goleiro adversário.

Coutinho foi um dos jogadores mais acionados no ataque brasileiro, com toques rápidos e inteligentes. Quando a marcação chegava, a bola já não estava mais com ele. Numas dessas jogadas, invadiu pela direita, chamou a tabela com Paulinho e bateu de esquerda na devolução para vencer o goleiro Antony Silva, fazendo o primeiro gol.

Roberto Firmino compunha a dupla com eficiência, mas num degrau abaixo dos parceiros. A bola não tinha parada.

A vitória parcial após os 45 minutos iniciais deu mais gana aos comandados de Tite. A torcida também fazia a sua parte. Foi ofensiva e deselegante, no entanto, ao gritar ‘bicha’ cada vez que o goleiro visitante batia tiro de meta – desafiando a Fifa, que proíbe o ato de preconceito.

Mais acelerado, o Brasil avançou para cima do Paraguai. Aos 5 minutos, Neymar fez das suas, e continuaria fazendo até o fim do jogo. Na primeira arrancada, passou pelos marcadores, com dribles e ginga, até sofrer falta na área. Ele mesmo cobrou o pênalti, mas errou. O goleiro voou no canto certo, o direito, para fazer boa defesa. Neymar lamentou, mas não desistiu.

Aos 18, inconformado com o erro, o atacante pegou a bola no campo brasileiro, pela esquerda, deu duas fintas com o corpo em dois pobres marcadores, feito ‘joões quaisquer’, e disparou para cima de Antony Silva, que desta vez nada pôde fazer para impedir o novo gol do Brasil.

Não seria demais afirmar que o pênalti perdido deu a Neymar mais vontade de atuar. Com mais campo e marcação mais longe, o atacante do Barcelona parecia enfrentar garotos da base, tamanha a facilidade com que superava quem se colocasse à sua frente. Armou um salseiro. E marcaria o terceiro do Brasil, o segundo dele, aos 27, mas o juiz peruano anulou depois de confirmar – ele pediu ajuda ao bandeira e deu impedimento.

A seleção brasileira já sobrava em campo. Era melhor em todas as posições. O Paraguai estava entregue, faltava pernas para seus jogadores. A seleção deu de ombros. Corria mais. Neymar continuaria aprontando. Ele e Coutinho.

Participaram, como num grand finale, da jogada do terceiro gol brasileiro, de Marcelo, aos 40 minutos.