Principal nome da natação brasileira na atualidade, o campeão olímpico e mundial César Cielo foi pego no exame antidoping, por uso da substância furosemida, geralmente encontrada em diuréticos. O exame de Cielo foi realizado em maio, durante a disputada do Troféu Maria Lenk.

Além de Cielo, outros três nadadores brasileiros foram pegos no antidoping, também por uso da furosemida: Nicholas Santos, Vinícius Waked e Henrique Barbosa. Após o resultado dos exames, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) decidiu apenas punir os quatro atletas com a perda dos resultados obtidos no Troféu Maria Lenk e também com uma advertência. O caso foi encaminhado para a Federação Internacional de Natação (Fina), que pode acatar a punição dada pela CBDA ou então estipular sua própria pena aos nadadores.

César Cielo divulgou uma nota oficial em que justifica o uso do diurético proibido: “Sempre fiz uso desse suplemento e nunca um controle feito anteriormente apresentou problema. Pela segurança que tenho na utilização, creio que este resultado tenha sido um fato isolado. (…) Não uso nenhum tipo de medicamento ou suplemento sem me certificar da segurança de sua utilização. (…) Sou extremamente cuidadoso com isso e tenho a consciência tranquila de que não fiz nada para melhorar artificialmente meu desempenho”.

A CBDA também divulgou um comunicado em que explica porque apenas advertiu os quatro atletas. De acordo com a entidade, eles esclareceram bem o uso do diurético e não havia motivo para uma punição maior. “Os atletas definiram com precisão como o diurético entrou no organismo, restando comprovado que não houve aumento dos seus desempenhos, fato que não ocorreu nesta competição”, diz parte do texto enviado pela CBDA.

No Troféu Maria Lenk, Cielo conquistou cinco ouros (50m livre, 50m borboleta e os revezamentos 4x50m livre, 4x100m livre e 4x100m medley) e uma prata (100m livre). Nicholas Santos ganhou três ouros revezamentos 4x50m livre, 4x100m livre e 4x100m medley), uma prata (50m borboleta) e um bronze (50m livre). Henrique Barbosa ganhou um ouro (4x100m medley) e um bronze (200m peito). Vinícius Waked levou quatro bronzes (200m livre e os revezamentos 4x50m livre, 4x100m livre e 4x100m medley). Com a punição da CBDA, os quatro perderam todas essas medalhas.

Confíra a íntegra da nota oficial divulgada por César Cielo:

“Quero dar minha posição a respeito de uma notificação de um painel realizado nesta sexta-feira pela CBDA, no Rio de Janeiro, sobre a presença da substância Furosemida, encontrada em alguns atletas da seleção brasileira que disputaram o Troféu Maria Lenk, em maio.

Durante o painel, todos os dados foram levantados e comprovada a presença da substância por meio de contaminação cruzada durante a manipulação de um suplemento (excepcionalmente, isso pode ocorrer, mesmo que observadas normas e protocolos de manipulação sob orientação da Vigilância Sanitária).

Sempre fiz uso desse suplemento e nunca um controle feito anteriormente apresentou problema. Pela segurança que tenho na utilização desse suplemento, creio que este resultado tenha sido um fato isolado. Por causa dessa mesma confiança, outros atletas também fizeram uso do suplemento.

Fato que nos ensina muito.

Durante toda a minha carreira, sempre tive o maior cuidado com todo tipo de medicamento ingerido. Me considero um atleta exemplar neste aspecto. Nunca utilizei nenhum recurso ergogênico ilícito que pudesse favorecer a minha performance.

Acredito que todo mérito de um atleta seja resultado de muito treino, dedicação e seriedade. Tenho a convicção de que todos os resultados que conquistei na minha carreira sigam esses pilares.

Faço controles constantemente – este ano, já fui testado cinco vezes. Fiz, inclusive, teste de sangue na França, durante o Aberto de Paris. Passo por controles periódicos e sou um dos atletas que integram o programa de rastreamento da Fina, o que significa que preciso sempre informar a entidade cada vez que me desloco. Posso ser testado a qualquer momento, em qualquer lugar. São as regras do jogo e eu sempre soube disso.

No dia 26 de abril, quatro dias antes de começar o Troféu Maria Lenk, recebi uma carta da Usada, órgão oficial antidoping dos Estados Unidos, me parabenizando pelos resultados dos testes antidoping realizados em Michigan, durante o Grand Prix.

Em nenhum momento fui imprudente ou negligente ou usei de imperícia. Não uso nenhum tipo de medicamento ou suplemento sem me certificar da segurança de sua utilização. Em qualquer lugar do mundo em que esteja, consulto sempre meu médico e meu pai, que é médico, sobre os componentes de todo medicamento ou suplemento antes de ingeri-los. Sou extremamente cuidadoso com isso e tenho a consciência tranquila de que não fiz nada para melhorar artificialmente meu desempenho.

Pelo respeito, pela confiança depositada em mim e consideração que tenho pelos brasileiros e a comunidade da natação e do esporte, estou esclarecendo a situação.

Cesar Cielo”