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Cesar Cielo conquista a medalha de ouro e confirma hegemonia nos 50 m livre

Cesar Cielo confirmou o favoritismo, conquistou seu segundo ouro no Mundial de Esportes Aquáticos de Xangai (o primeiro foi nos 50 m borboleta) e selou a hegemonia nos 50 m livre. Superando a polêmica de doping que o envolveu antes da competição, o brasileiro sobrou neste sábado e fez o tempo de 21s52, mostrando que segue sendo o homem mais rápido do mundo – na piscina, pelo menos.

A tranquilidade para conseguir o triunfo ficou evidente após a prova. Se depois de faturar no borboleta o nadador se emocionou muito e foi às lágrimas ainda na piscina, desta vez só sorriu e olhou para o telão para confirmar seu tempo.

De maneira surpreendente, o jovem italiano Luca Dotto, 21 anos, conquistou o segundo lugar na prova, com tempo de 21s90, seguido pelo francês Alain Bernard, com 21s92. Bruno Fratus, que fez o melhor tempo das semifinais e chegou a falar em uma dobradinha brasileira no pódio, piorou seu tempo em dois décimos, apenas no quinto lugar.

Fratus, aliás, nadou a final com a mesma bermuda que havia “pego emprestado” de Cielo na semi, após seu uniforme ter se rasgado cinco minutos antes da sessão. Nervoso, a revelação de 20 anos não conseguiu repetir o desempenho do dia anterior – se tivesse feito os mesmos 21s76 da semifinal, levaria a prata.

Logo à frente de Bruno, na quarta colocação, ficou o americano Nathan Adrian, que voltou a decepcionar. Favorito ao pódio tanto nos 50 m quanto nos 100 m livre – quando ficou só com a sexta colocação – o nadador deixa o Mundial de Xangai sem medalhas individuais.

Cielo, por sua vez, mantém a hegemonia da prova e, além de campeão olímpico e recordista mundial (20s91), torna-se bicampeão mundial, uma vez que venceu a prova em Roma 2009. O nadador de Santa Bárbara D’Oeste, porém, fracassou na defesa dos 100 m livre em Xangai, quando ficou com o quarto lugar.

Cesar Cielo ainda pode conquistar mais uma medalha na China, na prova dos 4×100 m medley, cuja eliminatórias acontecem na noite deste sábado (horário de Brasília).

Classificação final dos 50 m livre – masculino

1. Cesar Cielo (Brasil): 21s52 (OURO)
2. Luca Dotto (Itália): 21s90 (PRATA)
3. Alain Bernard (França): 21s92 (BRONZE)
4. Nathan Adrian (EUA): 21s93
5. Bruno Fratus (Brasil): 21s96
6. Krisztian Takacs (Hungria): 21s99
7. George Bovell (Trinidad e Tobago): 22s04
8. Gideon Louw (África do Sul): 22s11

Cielo fala em “desafio nunca visto” e sai fortalecido do Mundial


Depois de conquistar o ouro nos 50 m livre no Mundial de Esportes Aquáticos de Xangai, neste sábado, Cesar Cielo declarou que nunca imaginou passar pelo desgaste de um julgamento por doping e mostrou-se aliviado com o resultado dentro e fora das piscinas.

“Agora sim. Essa semana foi um desafio acho que nunca visto na natação do Brasil, talvez até na natação mundial, de estar superando uma coisa assim (polêmica do doping)”, declarou o nadador após a vitória em Xangai.

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Após ouro nos 50 m livre, Cielo disse que pela primeira vez sentiu orgulho do que conseguiu superar

Na final dos 50 m, o brasileiro venceu com visível facilidade, terminando a prova em 21s52 – bem à frente do segundo colocado, o italiano Lucca Dotto, que fez 21s90. No pódio, Cielo se conteve e não chorou como quando conquistou o ouro nos 50 m borboleta, na última segunda.

Mesmo assim, ele desabafou e disse que teve uma semana difícil. Também declarou que após a conquista refletiu sobre o que passou nos últimos dias e pela primeira vez sentiu orgulho da capacidade de superação.

“Lógico que tem alguns momentos em que eu tive orgulho, como a medalha de ouro olímpica (2008) e o Mundial (disputado em 2009, em Roma), mas essa é o orgulho de ter conseguido superar um negócio que eu nunca imaginei, nunca pensei que fosse chegar a um estado desses.”

Com as duas conquistas em Xangai, Cielo se tornou o brasileiro com mais medalhas em mundiais de natação. Antes da competição, ele estava empatado com Gustavo Borges, que ganhou duas medalhas no Mundial de Roma, em 1994.

Agora, o nadador mais vitorioso da história do País afirma que está mais confiante e espera aumentar mais o já impressionante número de conquistas. “Espero que isso sirva não só para a natação, mas para qualquer pessoa que acompanhe a minha carreira, o esporte. A gente tem uma mentalidade no Brasil de aceitar as coisas um pouquinho, de abaixar a cabeça”, declarou.

“Essas duas medalhas de ouro estão com um peso maior do que todas as outras que eu tenho na minha coleção”, finalizou o campeão olímpico e mundial.