Em meio às vaias da torcida depois do empate em 1 a 1 cedido pelo Paraná Clube diante da Portuguesa na Vila Capanema, o técnico Ricardo Pinto decidiu expor os bastidores de uma realidade que se repete há muito tempo no Tricolor. O treinador admitiu que ainda não possui vínculo contratual com o time e que não recebe salários no clube, além de deixar transparecer uma certa mágoa com a postura de alguns torcedores que, segundo ele, passam todo o jogo xingando jogadores e comissão técnica.

O técnico destacou os erros provocados pelas substituições equivocadas e eximiu Thiago Santos de qualquer culpa na expulsão que sofreu no segundo tempo. “Com a lesão do Léo eu ia ficar com uma troca só pra fazer no fim. Eu hesitei, errei, já disse. Conversei com o Thiago e ele foi levado a fazer a falta. A responsabilidade é toda minha, que demorei pra substituir”, analisou Pinto, ao destacar o cansaço do time em Varginha e a situação do gramado da Vila, repleto de blocos de areia.

Além das quatro linhas

Desabafos parecem ser fatos comuns entre os comandantes do Paraná. O ex-técnico Roberto Cavalo já protagonizou uma conversa franca com a imprensa, revelando o cenário de dificuldades financeiras e desentendimentos com o gerente de futebol, Paulo César Silva. Ricardo Pinto foi além: além de estar sem contrato com o clube e sem receber salários, o treinador criticou a postura ofensiva de alguns torcedores.

“Tem certas coisas que eu não consigo entender: o fato de o torcedor vir ao campo, pagar, ele tem todo o direito de fazer o que quiser, mas eu não sei qual é a graça de ficar atrás do banco ficar xingando o treinador os 90 minutos”, questionou. “O que esse cara vem fazer aqui em dia de jogo? Eu não acho justo porque eu estou aqui, sem receber, sem assinar, mas estou porque aprendi a amar esse clube por todas as dificuldade que passamos”, desabafou.

Entre as críticas, as promessas de tempos melhores no clube, castigado pela disputa de duas divisões de acesso, no Paranaense e no Brasileiro. “Eu não me importo de me criticarem porque eu tenho força de vontade. O Paraná vai subir esse ano, mas precisa do apoio de todo mundo. O momento do clube é delicado e negativo por causa disso, também.”, disse, com relação à postura da torcida. “Eu peço desculpas, mas não posso carregar isso sozinho”, finalizou o técnico.