Russa ainda foi punida por quatro anos pelo CAS. (Divulgação/IAAF/Getty Images)

A corredora russa Mariya Savinova teve cassada nesta sexta-feira a medalha de ouro que conquistou na prova dos 800 metros nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, por uso de doping. Para completar, a atleta foi punida com uma suspensão de quatro anos aplicada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês).

Com a punição, a sul-africana Caster Semenya, que faturou a prata na final daquela prova, deverá herdar o ouro de Savinova e se tornar bicampeã olímpica, pois triunfou na disputa dos 800 metros nos Jogos do Rio, no ano passado.

Ao justificar as punições aplicadas nesta sexta, a CAS disse ter descoberto que Savinova esteve envolvida com uso de doping entre julho de 2010 e agosto de 2013, último ano em que a russa participou de competições.

Em 2014, por sua vez, Savinova foi flagrada em filmagens secretas feitas por Yulia Stepanova, delatora do escândalo de doping sistemático que envolve a Rússia, na qual aparece admitindo ter injetado testosterona e tomado o esteroide proibido oxandrolona. A filmagem ajudou a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) a promover uma grande investigação para apurar trapaças cometidas por atletas russos, assim como motivou a reanálise do teste antidoping que havia sido feito por Savinova e então não detectou nenhuma irregularidade.

Sem competir desde 2013, a atleta estava se preparando para o seu retorno às pistas quando foi filmada por Stepanova e depois suspensa durante a investigação. E, como fruto desta apuração que trouxe provas de uma série de casos de doping que não haviam sido flagrados anteriormente, a Rússia foi suspensa de todas as competições pela Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) em novembro de 2015 e acabou ficando fora das disputas da modalidade na Olimpíada de 2016.

Caso o Comitê Olímpico Internacional (COI) decida realocar as medalhas da final olímpica dos 800 metros de Londres-2012, o pódio da prova será todo modificado. Além da provável entrega do ouro para Caster Semenya, a prata conquistada na pista pela sul-africana teria de ser dada inicialmente para a russa Ekaterina Poistogova, então medalhista de bronze daquela disputa

Poistogova, porém, também está sob investigação por possível uso de doping e, caso seja punida, a queniana Pamela Jelimo, quarta colocada naquela final em Londres, poderia galgar duas colocações de uma vez e faturar uma antes inesperada prata, tendo em vista o fato de que Savinova já teve a sua medalha cassada.

Se Poistogova escapar de ser punida, Jelimo de qualquer forma deverá herdar no mínimo o bronze e a atleta russa ficar com a prata obtida na pista por Semenya. Uma punição a Poistogova também faria com que a norte-americana Alysia Montano herdasse o bronze depois de ter sido quinta colocada naquela final dos 800 metros.