As fortes chuvas que têm atingido o Peru neste início de ano, causando enchentes, desmoronamentos e deixando mais de uma dezena de mortes, podem obrigar o país a desistir de organizar os Jogos Pan-Americanos de 2019 em Lima. Diversas forças políticas peruanas, inclusive o prefeito de Lima, defendem que os recursos disponíveis para o Pan sejam utilizados para atender as vítimas do fenômeno El Niño.

“Temos que adiar o Pan, porque há dois assuntos em destaque. Em um, há uma urgência, uma vez que temos que privilegiar as vidas. Temos que destinar todos os nossos recursos aos mais necessitados”, disse nesta quarta-feira o prefeito de Lima, Luis Castañeda Lossio, em declaração à imprensa peruana reproduzida pelo jornal El Comercio.

O prefeito, que tem dado apoio ao Pan durante a sua gestão, lembrou que se Lima desistir não será a primeira vez que isso acontecerá. “No mundo já ocorreram várias mudanças. Acho que teve uma Copa que ia acontecer na Colômbia (em 1986), teve uma série de desastres, e passaram para o México. Acredito que todas as entidades entendem que não é por uma desistência, mas por uma circunstância da natureza, e temos que priorizar algo, e essa prioridade é a nossa gente.”

Castañeda não está sozinho ao defender a desistência de Lima. Na verdade, ele só deu seu apoio a um movimento que está unindo governo e oposição no Peru. A presidente do Congresso, Luz Salgado, disse também nesta quarta que, se o governo tem recursos, deve primeiro atender as vítimas da chuva.

“Sabemos que a emergência é bastante grave e, se há recursos, devemos primeiro atendê-las. Eu entendo os esportistas, mas diante de uma emergência tão grande, eu pessoalmente acho que devemos decidir que não mais (realizaremos o Pan)”, afirmou. Ela também defendeu agilizar, no congresso, projetos de lei que visem destinar recursos que estavam reservados para obras do Pan para que sejam destinados às áreas atingidas.

Até agora, a Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) não se pronunciou oficialmente sobre a possível desistência de Lima. Santiago e Buenos Aires recentemente apresentaram candidatura pelo Pan de 2023 e têm alguma estrutura pronta. Os chilenos porque realizaram os Jogos Sul-Americanos em 2014. Os argentinos, porque realização os Jogos Olímpicos da Juventude, em 2018.