Mohamed Salah é o principal jogador da Premier League na temporada (Divulgação/Liverpool FC)

Na última sexta estava gravando um programa na rádio Banda B que vai ao ar esta semana e que falará sobre futebol internacional com o comando de Guilherme Coimbra, e ele me deu a ideia de falar numa coluna sobre Mohamed Salah, já que temos debatido muito sobre ele nos últimos tempos – não só pelo futebol jogado mas pelo ídolo que está se tornando e ganhando de fato o apelido de Rei do Egito.

Não sei se esperava que iria de fato acontecer mas ontem, domingo, Salah ganhou o prêmio de melhor jogador da temporada na Inglaterra, batendo o belga Kevin De Bruyne, que foi o maestro do timaço campeão do City. Vi algumas pessoas criticando a escolha, pois De Bruyne levou a equipe ao título, mas Mo é o cara do Liverpool, que muitas vezes sem ele não chega nem perto do desempenho ofensivo, lembrando que são 31 gols marcados na Premier League, recordista ao lado de monstros como Cristiano Ronaldo, Luis Suárez e Alan Shearer, sendo que ainda tem alguns jogos para completar a competição e bater esta marca.

Vocês sabem o por quê precisamos falar sobre Mo Salah? Porque um ídolo de verdade não precisa só jogar o quanto ele joga, mas precisa ter as ações que ele tem. O Egito, como a maioria imagina, não é um país fácil de viver e quando se tem alguém que dá esperança para todo um povo, ele se torna um ídolo, até mesmo um rei. Salah tem 25 anos, viveu de futebol num país que isso é quase inexistente, lutou para ser profissional como poucos poderiam fazer, e hoje dá todo o suporte à sua população.

Existem alguns fatos interessantes que é legal as pessoas saberem:

1 – Salah assinou um contrato com a Vodafone que dá ao povo egípcio onze (número de sua camisa) minutos de ligação gratuitas. No Egito, isso é caro, e a cada tento marcado pelo Faraó, a empresa britânica gasta por volta de 130 milhões de euros.

2 – Mo participou de uma propaganda do governo sobre reabilitação e o número de inscrições no programa contra as drogas cresceu em 400%.

3 – O atacante do Liverpool reformou toda a escola que estudou quando era mais novo e hoje ela se chama Mohamed Salah Industrial High School e além disso iniciou recentemente duas novas obras em sua cidade, Nagrig: uma escola para garotas e um novo hospital.

4 – Obviamente Salah não era candidato à presidência do Egito, mas mesmo assim foi o segundo mais votado na eleição que aconteceu no início de abril.

5 – Mohamed Salah fez o gol que levou o Egito para a Copa do Mundo 2018 em um pênalti aos 50 minutos, contra o Congo, e durante o jogo sua casa toda foi assaltada. O assaltante foi preso e, mesmo assim, o egípcio pediu para que fosse solto e deu dinheiro para que o rapaz pudesse reconstruir sua vida.

Isso mostra um pouco o motivo de ele estar sendo tão falado, e não é só pelo futebol jogado – que está sobrando -, além de que isso também mostra um pouco o que é de fato ser um ídolo. Enquanto muitos precisam aprender a sua representatividade no cenário nacional ou mundial, outros dão aula disso.

Não acho que o Faraó será o melhor do mundo nem vencendo a Champions League com o Liverpool, porém, já está muito mais perto do que qualquer outro atleta nascido em 1992 – mimado ou não.