Como vocês definem o quão bom é um atacante? Digo, um centroavante. Com gols, geralmente, não? Quanto mais goleador, mais badalado ele é, mais bem falado e mais ganha fama, até porque o ápice do futebol é balançar as redes, pouco se vê no Brasil a importância destes caras nos times, talvez pelo mal momento técnico em que nós vivemos.

Fama e badalação é uma coisa que tomou conta da vida de Jô desde cedo, um cara que já fez muita coisa que não deveria e que poderia (até colocou) sua carreira em cheque. Após a passagem pelo Atlético-MG, ele passou pela Arábia e pela China para daí buscar sua redenção numa mudança drástica de comportamento. A vida ao lado de nomes como Ronaldinho Gaúcho não deixariam um rapaz de apenas 30 anos jogar mais em tão alto nível como já tinha mostrado ser capaz.

Pouco menos de dois meses atrás eu critiquei-o pela entrevista pós gol de mão. Não foi uma crítica à ele, específicamente, mas a mentalidade do povo brasileiro que na maioria dos casos não tem uma instrução e uma educação capaz de conhecer um caminho diferente. Agora, após os dois gols no jogo que deu o heptacampeonato ao Corinthians, venho aqui falar sobre a redenção de um jogador que não chegou para ser solução do Timão mas foi quem mais se doou para que o título se tornasse possível.

Não lembro de um único momento que Jô se escondeu, se omitiu ou pediu para ser poupado de dar a cara à tapa. Querer vencer é muito mais do que simplesmente ganhar e quanto mais você faz por onde, mais será merecedor disso. João Alves de Assis Silva merece esse título, que pode não ser o maior de sua carreira mas com certeza será o mais lembrado como o da redenção de um cara que quis vencer e mudou.