Silvio de Abreu, 67 anos, recebeu a reportagem de QUEM para responder às perguntas enviadas pelos leitores ao site da revista. O ex-funcionário público, que aos 19 anos pediu demissão para tentar a carreira de ator, na verdade, se deu muito bem mesmo como escritor. Bem-humorado, o autor de “Passione” disse que responderia a tudo que os leitores perguntassem, contanto que não tivesse que revelar nada sobre o desenrolar da novela.

A entrevista completa está na revista QUEM desta semana, que já está nas bancas. Leia abaixo os melhores trechos:

Ser autor era algo que você imaginava para sua vida quando era jovem?
Carolina Matheus, São Paulo (SP)
Silvio de Abreu: Não, nunca imaginei escrever! Minha vontade era ser ator, pois queria fugir da realidade. Sempre achei a realidade muito aborrecida. Então, ia muito ao cinema e achava que, para entrar naquele mundo, eu tinha que ser ator. Mas não tinha o menor talento para isso!

Como viveu sua infância?
Gabriel Borges, Campinas (SP)
SA: Meu cotidiano era muito medíocre. Família pobre, não gostava daquela família. Aquele mundo não me interessava. Então, eu ia todo dia ao cine Itapura, que passava os filmes da Metro. Lá, tive a oportunidade de escapar da realidade. Minha droga foi o cinema e eu realizava minhas fantasias lá.

Qual novela foi a mais trabalhosa e qual te deu mais prazer?
Verônica Rachel, por e-mail
SA: A mais trabalhosa foi, sem dúvida, “Torre de Babel”. Foi uma dor de cabeça… uma novela de enorme sucesso, mas com muito protesto, muita perseguição de ONGs e igrejas, pessoal da tradição, família e propriedade. E não foi só pelo casal lésbico. Era uma novela violenta. Na cena em que os traficantes invadiam a casa dos personagens de Tarcísio (Meira) e da Glória (Menezes), era a primeira vez que se mostrava a droga na classe média. Isso chocou muito as pessoas. Tinha o José Clementino (Tony Ramos) que matava a mulher, tinha o outro que morria de overdose… era tudo muito forte. A mais prazerosa, não sei, mas vou falar “Guerra dos Sexos”. Foi a novela que me projetou. Mas “A Próxima Vítima” foi muito gostosa de fazer. “Passione” está sendo ótima. Novela tem que ser um grande divertimento popular. Se os jovens que assistirem não tiverem vontade de tomar droga por causa do personagem do Cauã (Reymond), ótimo. Mas o objetivo é divertir.

Gosto muito de sua dupla com a Fernanda Montenegro, que está sempre em suas novelas. De onde saiu essa parceria?
Jouber Castro, Joinville (SC)
SA: Eu conheci a Fernanda quando eu era figurante e ela era a principal atriz da novela A Muralha (1968). Ela sempre foi muito gentil comigo. Sempre conversamos muito. E nunca me tratou como se fosse menos que ela. Sempre foi a grande dama que ela é. E olha que nos conhecemos há mais de 40 anos! Quando escrevo para ela, parece até que ela está dizendo as falas no meu ouvido.

Te incomoda o tipo de ator que é descrito apenas como “um rostinho bonito”?
Rafael Danilo, por e-mail
SA: Existe de tudo na TV! Tem gente muito talentosa e tem gente que está lá para aparecer e sair na capa da revista. Não gosto de ator assim. Gosto de ator que tem escola, que estuda, que leva aquilo a sério. Ator que lê o capítulo todo e não só a sua fala. Quando você faz um elenco que tem Fernanda (Montenegro), Aracy Balabanian, Tony Ramos, Werner Schünemann, Cleyde Yáconis, Elias Gleizer, Leonardo Villar, as outras pessoas que vão trabalhar se sentem na obrigação de seguir o jeito deles. Eles vão chegar ao estúdio preparados. E, se você chegar lá sem saber o que está fazendo, vai passar uma grande vergonha. Você pega uma atriz sem a menor experiência, como a Mayana Moura, mas tem um resultado excepcional, por ela ser talentosa e por estudar! O Cauã é outro ator assim, muito estudioso. O (Reynaldo) Gianecchini é muito sério, gosto de trabalhar com ele. Se você tem Cleide Yáconis, com 87 anos, que quebrou o fêmur e voltou para lá, andando, depois de 15 dias, você tem que tomar vergonha na cara. Mas a TV vive disso. Tem autores que preferem carinha bonita. Eu prefiro talento.

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