Cena de Moonlight’

Ocorre neste domingo, 26, em Hollywood a batalha final do Oscar de 2017. Um filme continua polarizando as atenções, e é La La Land, o musical de Damien Chazelle que concorre em 14 categorias. O único com condições de lhe fazer frente é Moonlight – Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins, que concorre a oito prêmios e estreia nesta quinta, 23. Em janeiro, Moonlight venceu o Globo de Ouro de melhor filme na categoria drama. La La Land ganhou como melhor comédia ou musical. Agora, o confronto é entre eles. Os dois filmes integram a lista de nove indicados para o prêmio da Academia, que será atribuído domingo no Dolby Theatre, em Hollywood. O favoritismo é de La La Land, mas Moonlight virou bandeira, e tem força.

No ano passado, havia apenas dois concorrentes negros no Oscar. Este ano, são 19, e espalhados por várias categorias. Existem afro-americanos indicados para melhor diretor, ator, atriz, e ator e atriz coadjuvantes. Os indicados para melhor documentário privilegiam a questão negra numa América que, desde a posse do presidente Donald Trump, anda confrontada como nunca antes com seus fantasmas. Os EUA seguem sendo o paraíso dos imigrantes? Os direitos civis estão consolidados?

Tem gente dizendo que, na segunda, 27, consolidada a vitória anunciada de La La Land, as coisas serão (re)colocadas em perspectiva e a fantasia do protesto do “Oscar so white” será esquecida, pelo menos até a próxima premiação da Academia. Esquecida? É pouco provável. Elucubrações à parte, Moonlight, a grande estreia desta quinta, é um filme raro – como La La Land. O musical “demyniano” de Chazelle não é uma fantasia alienante numa época de crise, como não eram os musicais do francês Jacques Demy. Moonlight também foge ao formato “social” que tem dado a tônica das participações dos negros no Oscar.

Barry Jenkins é apenas o quarto negro indicado para o Oscar de direção, após John Singleton, Lee Daniels e Spike Lee. Na agenda de todos, estava a questão social. Ela ressoa em Moonlight – drogas, violência, etc. -, mas há uma outra, mais íntima, que se refere à própria identidade do homem afro-americano, e aqui Moonlight liga-se ao excepcional Eu Não Sou Seu Negro, de Raoul Peck. Moonlight é sobre a luta pela aceitação e sobrevivência de um negro pobre e gay. Divide-se em três partes, com três diferentes atores. A mais bela é a última. Independentemente de raça, cor, nunca houve outro filme como Moonlight sobre o contato íntimo (não explícito) masculino.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.