Da BBC Brasil

Quando o americano Daniel Pierce, de 20 anos, se declarou gay para a família em outubro, eles pareceram apoiá-lo. Por isso, ele não esperava que, nove meses depois, eles o expulsariam de casa, na cidade de Kennesaw, Estado da Geórgia (sudeste dos EUA).

Na sexta-feira passada, Pierce chegou em casa vindo do trabalho e encontrou sua família esperando por ele. Sentindo que algo estava estranho, ele tirou o celular do bolso e começou a gravar a conversa.

“Gravei porque sabia que algo iria acontecer e queria me proteger se alguém tentasse me agredir”, disse ele à BBC. O vídeo de cinco minutos não mostra os rostos de seus familiares, mas o que eles dizem pode ser ouvido claramente.

“Você pode negar o quanto quiser, mas acredito na palavra de Deus”, diz uma voz feminina, em resposta ao argumento de Pierce que pesquisas científicas indicavam que a homossexualidade não é uma opção individual.

“Deus não cria ninguém assim. É um caminho que você escolheu.”

Aos poucos, a conversa fica mais tensa e se transforma numa discussão. Uma mulher parece agredi-lo.

“Solte-me”, diz Pierce, enquanto a câmera treme fortemente. “O que há de errado com vocês?”

“Não, o que há de errado com você?”, um de seus familiares responde. Alguém também diz que ele é uma desonra para a família.

Logo após a briga, a tia de Pierce o procurou e o abrigou em sua casa. Desde então, ele não voltou para onde vivia.

“Se eles tivessem dito apenas para eu pegar minhas coisas e cair fora, eu teria dito ‘tudo bem’. Não sou do tipo de pessoas que gosta de entrar em brigas”, diz o rapaz.

“(Ao publicar o vídeo) queria evitar que isso ocorresse com outras pessoas”, ele explica. “Se um pai assistir e mudar a forma de abordar seu filho, já terá valido a pena.”

Em dois dias, o vídeo já havia sido visto 2 milhões de vezes. E o nome de Pierce foi parar entre os assuntos mais comentados no Twitter, com diversas mensagens de apoio.

Um internauta criou até mesmo uma campanha para arrecadar dinheiro para ajudar Pierce.

O americano pretende dar o dinheiro arrecadado com a campanha a jovens que enfrentam situações como a dele.

Regina Ryan, sua chefe na pet shop em que ele trabalha, foi às lágrimas quando soube da campanha.

“Sua história foi tão compartilhada na internet porque foi tocante para qualquer tipo de pessoa, seja ela mais velha, mais jovem, gay ou heterossexual”, ela diz.

“Isso não acontece apenas nos filmes – é real. Quando você vê, não dá para ignorar.”