Marcos Pigossi e Isis Valverde formam um casal na novela – Foto: Divulgação

Para o telespectador que ainda guarda na lembrança a intensidade dos conflitos de Velho Chico, a novela de Benedito Ruy Barbosa dirigida por Luiz Fernando Carvalho parece que teve um desdobramento no capítulo inicial de A Força do Querer. Gloria Perez talvez seja a mais visceral das autoras brasileiras de novelas. Ame-a, ou deixe-a. Gloria formou-se na escola do folhetim de Janete Clair. Tudo nos seus enredos é exagerado – os críticos dizem: caricatural -, mas Gloria não apenas mexe com assuntos polêmicos (da clonagem à transexualidade) como cria os núcleos ‘pobres’ mais coloridos da TV.

Na abertura de A Força do Querer, dois meninos afogam-se no rio – o Amazonas, em substituição ao São Francisco. São resgatados por um xamã, que os devolve à vida. Dá a cada um deles um colar protetor. E diz que o rio que os uniu irá separá-los. Os garotos viram Marco Pigossi e Fiuk. O primeiro é caminhoneiro, atende a população ribeirinha. O outro é filho de Dan Stulbach. Viaja pela região buscando fornecedores para a firma do pai. Nesse primeiro capítulo, as jornadas dos dois (agora) homens ainda não voltaram a se cruzar, mas o rio já está a separá-los. De suas águas emerge Isis Valverde, eterna sereia. O olhar de desejo dos homens, fechando o capítulo, já antecipou uma das linhas dramáticas (a principal?) do folhetim.

No núcleo pobre, Juliana Paes teve de abandonar o Direito e Dan Stulbach, no rico, abandona a firma para retomar sua vocação como advogado. Vai ter coisa aí. E a ricaça Maria Fernanda Cândido debruça-se sobre o espelho, qual Narciso. Não entende a filha transgênero. Tudo já está delineado. Gloria Perez não dispersa e faz render seu primeiro capítulo. Foram 33 pontos de audiência em São Paulo e 37 no Rio.