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O cantor Rafael Ilha, 37, ficou conhecido por integrar o grupo Polegar no fim dos anos 1980. Nos últimos dez anos, no entanto, a maioria das menções ao seu nome estão relacionadas a passagens pela polícia, tentativas de suicídio e envolvimento com drogas.

Por conta desse passado, citado por ele como “doloroso e agitado”, surgiu a ideia de escrever um livro, que será roteirizado pela apresentadora Sonia Abrão –a quem diz sentir um amor fraternal.

A cinebiografia “Um Anjo no Inferno” vai ser dirigida pelo irmão da apresentadora, Elias Abrão e contará com as narrativas do próprio Rafael e de sua mãe, Silvia Vieira.

“Sou obrigado a rever muitas feridas. Às vezes é muito difícil narrá-las”, afirma. Nestes momentos, Ilha conta com o apoio de sua psicóloga.

VERACIDADE

Rafael Ilha afirma que seu filme não o poupará em nenhum momento. “Gosto muito de ‘Meu Nome Não é Johnny’ [de Mauro Lima, 2008], mas ele não mostra a real viagem da cocaína. A viagem da cocaína é de alucinação, depressão e o filme não mostra isso. Meu filme vai mostrar a realidade que eu vivi”, afirma.

ESTIGMA

O cantor diz não se importar com os comentários das pessoas em relação ao seu passado. “Alguma pessoas ainda fazem brincadeiras, falam ‘Rafael Pilha’ ou me chamam de drogado.

O apelido refere-se ao episódio ocorrido em 2000, quando ele chegou a ingerir pilhas e isqueiros para fugir de uma clínica de recuperação.

“Uma hora vão esquecer”, diz. “As pessoas conscientes sabem que a dependência de drogas é uma doença e necessita de tratamento”.

Para manter-se longe das drogas e da depressão, Ilha frequenta semanalmente uma psicóloga e um psiquiatra. Ele também toma diariamente medicamentos para dormir e para controlar o humor.

FUTURO

Ao falar sobre seus sonhos, Rafael limita-se ao seu presente. Com a voz embargada, o artista conta que deseja continuar sendo feliz como diz ser hoje.