O ator Dado Dolabella foi libertado na madrugada desta sexta-feira, 6, após ficar 60 dias detido pelo não pagamento de pensão alimentícia Foto: Instagram/@dadodolabella

 

Dado Dolabella compartilhou em seu Instagram na última quarta-feira, 11, um texto de Fernanda Tripode, advogada que defende homens em casos de pensão alimentícia. “Depois de ler tantos julgamentos e agressões nas redes (in)sociais, achei uma opinião de alguém com conhecimento de causa”, escreveu o ator.

Ele compartilhou o texto juntamente com uma citação de uma música sua: “O pensamento é livre, o indivíduo também. Podemos pensar diferente: há uma floresta em cada semente”.

No texto, Fernanda diz que geralmente representa os homens nesses casos judiciais e opina que eles são os mais afetados com a lei que prevê prisão civil para aqueles que não pagam pensão alimentícia.

“Mesmo o alimentante sendo preso demonstrando a total incapacidade – quem tem dinheiro não vai preso, continua sendo executado e com possibilidade de novamente ir preso. Muitas vezes ficam com problemas psicoemocionais depois de 30 dias na prisão nesse sistema carcerário brasileiro que conhecemos muito bem”, disse a advogada.

Ela reconhece que a medida é tomada para garantir o sustento dos menores de idade e que há situações em que os homens sonegam informações sobre seus bens e patrimônios, mas considera que muitas vezes acontecem “injustiças”.

“Por exemplo, ao propor ação de alimentos contra o pai através de liminar, o juiz já fixa em 33% dos rendimentos do pai até a final da decisão. Contra a mãe, como já fiz porque a filha estava sob a guarda do meu cliente, foi fixado em 15% até a decisão (e ela tinha um ótimo cargo e ganhava bem)”, exemplificou Fernanda. E concluiu: “Há proteção sim para a mulher. Muito fácil advogar para uma mãe, desafiador é para o pai”.

Em seu Facebook, a advogada falou que o texto compartilhado por Dado foi um comentário que ela fez em uma publicação sobre “prisão civil”: “No comentário de uma postagem apenas procurei exprimir de forma sucinta questões relativas à execução de verba alimentar e minha visão como advogada da parte executada”.

 

Depois de ler tantos julgamentos e agressões nas redes (in)sociais, achei uma opinião de alguém com conhecimento de causa. Fernanda Tripode. Uma mulher que advoga pra homens. Veja o que ela diz: “Lido com isso. Normalmente sou advogada dos alimentantes homens. E sim, são os mais afetados com a Lei que prevê prisão civil por dívida de alimentos. Para conseguir a Revisão de alimentos de um alimentante homem é realmente mais difícil. Há inclusive morosidade. E mesmo o alimentante sendo preso demonstrando a total incapacidade – quem tem dinheiro não vai preso, continua sendo executado e com possibilidade de novamente ir preso. Muitas vezes ficam com problemas psicoemocionais depois de 30 dias na prisão nesse sistema carcerário brasileiro que conhecemos muito bem. Enfim, pais são realmente mais afetados com o rigor da Lei que prevê prisão. Nossa cultura, inclusive no judiciário, é de proteger mulheres e rigor aos homens. Essa é a realidade. A medida é para proteger os menores e o seu sustento, porém muitas vezes nos deparamos com a injustiça sim. Existem também casos de pais que sonegam informações de seus bens e contas para demonstrarem pobreza perante a justiça e não pagar uma verba alimentar decente aos filhos. Existe de tudo. Mas que há um rigor e injustiça muitas vezes, há. Por exemplo, ao propor ação de alimentos contra o pai, através de liminar o juiz já fixa em 33% dos rendimentos do pai até a final decisão. Contra a mãe, como já fiz porque a filha estava sob a guarda do meu cliente, foi fixado em 15% até decisão. (E ela tinha um ótimo cargo e ganhava bem). E para explicar que quando se trata de homem é aplicado o teto da lei e para mulher tem mais flexibilidade? Essa é nossa cultura, inclusive no judiciário. Há proteção sim para mulher. Muito fácil advogar para uma mãe, desafiador é para o pai.”

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