Redação com UOL e Agência Brasil

gasolina2Reajuste valem a partir desta sexta-feira (7) nas refinarias

A Petrobras divulgou, no início da noite desta quinta-feira (6), os percentuais de aumento da gasolina e do diesel. A decisão de reajustar o preço dos combustíveis havia sido acertada, na última terça-feira (4), durante reunião do Conselho de Administração da estatal, mas os valores não foram divulgados.

Os preços de venda nas refinarias sofrerão reajuste de 3% para a gasolina A e 5% para o diesel, a partir da zero hora desta sexta-feira (7). A estatal esclareceu ainda que os preços sobre os quais incide o reajuste anunciado não incluem os tributos: Cide, PIS/Cofins e ICMS. Este é o primeiro reajuste desde 29 de novembro de 2013.

Ouvintes da Banda B informaram que em postos que vendiam o litro da gasolina a R$ 2,69, hoje estava a R$ 2,73. Os exemplos vieram de postos no bairro Fazendinha, em Curitiba. Porém, em bairros como Campo Comprido, um posto próximo a Rua Eduardo Sprada, o litro da gasolina, que até ontem era vendido a R$ 2,89, hoje amanheceu cobrando R$ 3,10. Reajuste considerado abusivo por especialista, que apontam que, de acordo com o aumento anunciando, a gasolina deveria subir no máximo R$ 0,006 o litro e diesel R$ 0,009 na bomba.

“É um absurdo isso. Primeiro porque já tem dono de posto aproveitando para subir o preço da gasolina muito acima do que foi anunciado ontem. E segundo que queria entender porque já estão cobrando mais pela gasolina hoje sendo que o aumento passou a valer hoje nas refinarias e não nos postos. A gasolina que está aqui estocada foi comprada pelo preço antigo. E ninguém faz nada?”, desabafou a corretora Sandra Junk, à Banda B.

A reportagem da Banda B também encontrou postos que, pela manhã, ainda estão mantendo os mesmos preços praticados até ontem. O último levantamento da Agência Nacional do Petroleo (ANP) feita em Curitiba, mostrou que o preço médio da gasolina entre 26 de outubro e 1º de novembro estava entre R$ 2,63 e R$ 2,99.

Expectativa

O presidente do Sincopetro (sindicato dos postos), José Alberto Gouveia, disse que o repasse para o consumidor deverá ficar “um pouco abaixo” do reajuste aplicado nas refinarias para as distribuidoras. “No último aumento, que foi de 4%, o repasse na bomba foi de cerca de 3%”, disse.

Pelo estatuto da Petrobras, a decisão pelo reajuste dos combustíveis é da diretoria-executiva da empresa, liderada pela presidente Maria das Graças Foster.

Na prática, porém, o aumento é negociado junto ao governo, uma vez que a concessão traz impactos inflacionários, e depois a proposta é apresentada aos conselheiros. A União controla a Petrobras e, nessa condição, nomeia sete dos dez conselheiros.

Como depende do aval do governo, a Petrobras não reajusta imediatamente os combustíveis conforme as oscilações do mercado internacional.

Nos últimos quatro anos, as perdas para a Petrobras com a política de não reajuste imediato dos combustíveis são calculadas em R$ 60 bilhões, segundo a corretora Gradual.

Preços

Neste ano, os combustíveis permaneceram a maior parte do tempo com preço abaixo da cotação internacional, chegando, em alguns casos, a uma defasagem de 20%.

Com a queda no preço mundial do petróleo, da faixa de US$ 100 para US$ 85 o barril, no último mês, a perda diária da Petrobras praticamente deixou de existir.

Até a semana passada, último dado disponível, a gasolina estava 1% mais cara no Brasil do que no exterior. Já o diesel, tinha defasagem de 4,5%.

Apesar da menor defasagem, analistas dizem que o reajuste é necessário para recompor parcialmente as perdas de caixa dos últimos anos.

A defasagem foi um dos fatores que contribuíram para a dívida líquida da empresa crescer 237% nos últimos cinco anos, de R$ 71,5 bilhões para R$ 241,3 bilhões.