Da Redação

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR/PR) apontou nesta segunda-feira (14) uma série de distorções na pesquisa em que 71% dos usuários consideram o preço do pedágio alto no Paraná, divulgada na última sexta-feira pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).  Segundo o diretor regional da ABCR, João Chiminazzo Neto, ele não se surpreendeu com as “notórias distorções” do resultado da pesquisa.  A sondagem, segundo ele, pode servir ao interesse político de alguns, mas tem pouca utilidade como instrumento de definição de políticas públicas visando a dotar o Paraná e o país da infraestrutura logística necessária ao desenvolvimento.

pedagio-141013-bandab

Foto: Reprodução

Para Chiminazzo, a opinião popular deve ser respeitada, mas a metodologia empregada na pesquisa da Fiep compromete seus resultados. Cita, como exemplo, o fato de que um terço dos entrevistados não é usuário das rodovias pedagiadas, o que, no seu entendimento, “é um fator de distorção” dos demais índices, especialmente quando pede a pesquisados que não trafegam pelas estradas que respondam sobre sua qualidade. O representante das concessionárias disse, porém, que não se surpreendeu com a opinião da grande maioria de que as tarifas no Paraná são muito elevadas quando comparadas às cobradas nas novas concessões federais.

A pesquisa da Fiep aponta que 71% dos entrevistados consideram elevadas as tarifas de pedágio praticadas no Paraná; 63% preferem que as estradas sejam administradas diretamente pelo governo com o dinheiro dos impostos; 41% consideram fundamental a realização de mais obras, 25% são favoráveis à redução dos valores e outros 33,4% declaram as duas medidas como necessárias. A sondagem aferiu também que 41% dos entrevistados mostram-se insatisfeitos com as rodovias pedagiadas. Dentre os 2.512 entrevistados, 32% declararam não ser usuários das rodovias e 68% que as utilizaram pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

Chiminazzo pondera, no entanto, que o alto índice dos que protestam contra o valor da tarifa praticado no Paraná decorre do “generalizado desconhecimento das diferenças entre um modelo de pedágio e outro. “Poucos sabem que o modelo implantado pelo governo paranaense apresenta exigências muito superiores àquelas que devem ser cumpridas pelas concessionárias das estradas federais. Uma das diferenças é o fato de no Paraná as concessionárias serem obrigadas a manter mais de 300 quilômetros de rodovias nas quais não se cobra pedágio”, diz a nota enviada à imprensa.

Negociações

O diretor da ABCR não responsabiliza o governo pelas más condições das rodovias sob administração pública porque, no seu entendimento, “não é justo que a população em geral, tão carente em serviços públicos de saúde, educação e segurança, seja obrigado a pagar, com seus impostos, o preço que cabe apenas a quem se utiliza de estradas”. Por isso, diz Chiminazzo, quando a pesquisa aponta que a maioria dos entrevistados é a favor da extinção do pedágio e da transferência do custeio das estradas para o poder público, “esta opinião popular, diante da realidade brasileira, não serve como fundamento para definir políticas públicas responsáveis”.

Sobre o valor da tarifa, considerado alto pelos entrevistados na pesquisa da Fiep, e o manifesto desejo da maioria pela realização de mais obras, o diretor regional da ABCR lembra que as duas possibilidades estão sendo discutidas entre o governo e as concessionárias. Pelo menos dois estudos técnicos encomendados pelo governo estadual estão sendo feitos por instituições independentes. Tão logo estejam prontos, o governo terá condições de propor as medidas necessárias para alcançar os dois objetivos, antes mesmo do término dos atuais contratos, cuja validade vai até 2021. “As concessionárias do Paraná estão abertas ao diálogo, como sempre estiveram”, reforçou.

Para Chiminazzo, os esforços do governo estadual têm se pautado pelo respeito à legitimidade dos atuais contratos, “numa clara sinalização de que a desastrada política do ‘baixa ou acaba’ nunca foi o melhor caminho para buscar soluções que atendam ao interesse público”. Lembrou, também, que a mesma postura tem sido adotada pela presidente Dilma Roussef, que em recente contato com investidores estrangeiros, em Nova Iorque, reforçou a premissa de que “o Brasil é um país que respeita os contratos”.

Notícia Relacionada:

Pesquisa aponta que 71% dos paranaenses consideram preço do pedágio muito alto