Coluna Literária

Cortaram meu Black Power

Por Tassi Correa*   Cresceu rodopiando pião na curva do meio fio de sua rua, o chão de terra lambuzando os pés pras peladas com bola de meia e os buracos sendo alvo das emocionantes partidas de bolinha de gude. Amiguinho de todo mundo só torcia o bico quando tiravam onda do penteado maluco: ‘- Parece cogumelo.’ Mó vacilo isso aí! Nos cadernos da escola as continhas aprendidas ajudavam na contagem das moedas pra compra do álbum de figurinhas. Querido time do Leia Mais→

Aprendizados Malditos

Por Tassi Correa*     A mesa posta do jantar esfriava, oposta às têmporas de cada um, naquela mesa que fervia. Todas as bocas abertas e ninguém sabia o que dizer. Bem sabiam os ali presentes que não era a primeira vez. Já havia sentido o mesmo calo nas cordas a avó do tataraneto. O mesmo estúpido nó na garganta. Será um desfortúnio do destino? Mal dita maldição! O que será dos Silva? A criancinha recurvada em ombros nos ouvidos não entendia nada. E jamais dizia Leia Mais→

A Minha Guilhotina que Ninguém Vê

Por Tassi Corrêa*   Ouça o conto na voz de Tassi     'Preferencialmente preto, pobre, prostituta pra polícia prende. Pare, pense: porquê?' Brasil com P – GOG Era uma vez, pais aconchegados com as mãos sobre o ventre, sussurando sonhos e canções delicadas ao que bebê que formava-se. Cada volta do cordão umbilical era como corda à caixinha de música, das esperanças daquela família negra. Um quintal, com roça de feijão, árvores frutíferas Leia Mais→

Quem vê Cara, não vê Coração

Por Tassi Corrêa*   Ouça o conto clicando aqui   Ai, aquelas duas… Só sendo mulher mesmo pra saber. Elas trataram um dia de aproximar-se uma da outra. Decisão firme e delicada… Por primeiro vieram umas primeiras confissões… e desde então nunca mais que podia encontrar-se e falar sobre algo banal. Sempre com aquele toque de brilho e cor que somente olhos rasos d'água podem ter… Aí de quando transformam-se em cachoeiras! Refaziam-se todas naquelas Leia Mais→

Saem os vencedores do Concurso Cultural

  Tassi Corrêa Trabalha como redatora. É colunista literária na Rádio Banda B, também estudante de contação de histórias e literatura infanto-juvenil na Fatum Leia Mais→

Adeus Barba Azul

Por Tassi Correa   Ouça o conto: 'mas a tentação era tão forte que ela não a pôde vencer: tomou da chavezinha e abriu, tremula, a porta do gabinete.' Charles Perrault (1695)*   Há um gênio encolerizado por de baixo das vestes. Contam que ele disfarça-se tão bem e com tais requintes de crueldade, que é capaz de provocar em que o descobre, a crença de que são os seus olhos, os culpados. Desmanchando-se assim, apenas em lágrimas quentes: Leia Mais→

À sós

'Eu quero plantar e colher com as mãos, a pimenta e o sal'  Elis Regina     Contam de um homem cansado Um homem que todo dia na mesa do bar engolia à contra gosto fardos de cachaça e papos indelicados. Envolvia com a sua língua, sem prazer algum uma porção de comidas. Não sabia de nenhuma delas a origem, a textura da superfície à luz do Sol, o perfume de flor... Apenas que estavam ali, servidas à mesa... e aí dele não querê-las! Mas bem sabem os Leia Mais→

Primeiros vencedores do Concurso Cultural

* Tassi Corrêa Trabalha como redatora. É colunista literária na Rádio Banda B, também estudante de contação de histórias e literatura infanto-juvenil na Fatum. Leia Mais→

A Pantufa Dourada

Por Tassi Corrêa*     A garota tivera um dia uma pantufa negra. Uma pantufa imensa, onde seus pés mergulhavam suaves e caminhavam seguros e fortes, como criança após refugiar-se de um pesadelo na cama dos pais, feliz por sua jornada no mundo. - Tal menina, separar-se-á jamais de tais pantufas! Olhe como sorri por ter pés vestidos por elas... A bondosa língua dos pássaros cantava bençãos à bendita orfã. - Não há de ser tolice... Que os céus Leia Mais→

Um Padre Bom de Bola

Por Tassi Correa*   Um Padre Bom de Bola In nónime de Patris, el Filli, et Spiritus Sancti. Amen Por aquelas bandas, além de saber a ordem das orações, entonação dos cânticos, cantos de glória e palavras da profissão de fé... Padre querido e que recebe a simpatia da molecada é aquele que também é bom de bola. Apazigua os ânimos antes de uma clássica partida, lembra dos sentimentos de solidariedade do esporte e concede água benta práquele cantinho sagrado do Leia Mais→

Nascem todos os dias Guerreiras

Por Tassi Corrêa* 'As suas saias são bandeiras cravadas em terra ... Lutam fardadas de amor' Trecho de tertúlia gaúcha   Os lares podem ser distintos, as maneiras do sotaque diversas ou o jeito de cada um contar e viver a sua história, diferente. Não há de quê. Ali em cada um deles há aquela figura de mistério, que cedo ou tarde terá que um dia suplicar o seu canto de existência. Mulheres, meninas, anciãs. Quisera poder encerrar sempre um conto com um final feliz. Leia Mais→

Uma prece

Por Tassi Corrêa*   Uma Prece 'Patores da terra, vós tendes sossego, que olhais para o sol e encontrais direção Sabeis quando é tarde, Sabeis quando é cedo, Eu, não.' Cecilia Meileres   Lá do fundinho da gaveta predileta, toda talhada por recortes antigos, a menina retira o seu amuleto. Uma vela amarela, embrulhada por bênçãos. Segura-a firme às mãos e com confiança recorda da voz caridosa que lhe presenteou: - Está é a luz da tua vida, filha. Mas Leia Mais→

Marabaixo

Por Tassi Corrêa**     Uma unha de senhora, pintada de dourado, escorregava pela lâmina de couro. A lâmina fazia um som arranhado, daqueles graves que a gente sente é no coração. Eu me sentei ao lado dela e ouvi com cuidado. Fechei os olhos e pude escutar os risos alegres cavoucando troncos de árvores protetoras e esticando a pele de boi por cima: criando tambores. A senhora contou-me de um tempo em sua história onde o mar era o que havia de mais sagrado à sua volta. Leia Mais→

Despedida

Por Tassi & Cio   Queridos leitores Nós, Tassi e Caio, estamos agora vivendo momentos diferentes de nossas vidas. Escrevemos para comunicar que a partir de agora vamos nos dedicar para nossos projetos particulares em literatura. Foram três anos de escrita intensa conjunta antes de lançarmos nossos versos nas redes! Depois, nós completamos e encerramos agora um ano de coluna no portal da Rádio Banda B! Foi muito importante dividir esse momento com todos que nos Leia Mais→

Aos que se Abraçaram a Nós

Por Tassi & Caio   Aos que se Abraçaram a Nós Chegaram tímidos os pés. Eram dois no começo e por muito tempo depois ficaram em quatro, apenas. Quatro solas que chegavam sozinhas e batiam fortes os seus passos no amplo salão da Criação. A senhora que predizia a cerimônia era comprida em suas vestes. Uma dona de olhar sereno e ativo. Contam que no princípio era uma baita de uma aflita. Ansiosa por fazer acontecer. Agora é paciente... Habita o alto da cuca dos seus Leia Mais→