(Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

 

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores da Grande Curitiba (Sindimoc) alegou que suspendeu as paralisações diárias no transporte coletivo devido à coação das empresas, que teriam ameaçado os trabalhadores com demissão e desconto nos salários. A ideia é cancelar as manifestações de uma hora que aconteceriam ao longo da semana e realizar apenas um grande ato no dia 20 de setembro a partir das 15h, na Praça Rui Barbosa, no Centro de Curitiba. O evento tem como objetivo protestar contra a insegurança dentro dos terminais e coletivos.

“A verdade é que, como se não bastasse o ladrão, agora o patrão também coloca a faca no pescoço do trabalhador, dizendo que vai descontar o dia ou o horário da paralisação, e até demitir funcionários, para desestimular as manifestações.  Circulares com essas informações chegaram a rodar pelos terminais e coletivos. Nós não vamos deixar os motoristas e cobradores serem prejudicados, as medidas jurídicas cabíveis serão tomadas”, disse o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, em entrevista à Banda B.

Segundo ele, a violência contra os trabalhadores “não sensibilizou os empresários”, o que dificultou a realização dos protestos diários. “Agora, nós vamos focar especificamente no dia 20 de setembro e convocar toda a população que também sofre com os arrastões para participar do grande ato. Precisamos mostrar a nossa revolta e indignação com o descaso com o transporte coletivo”, completou.

Reivindicações

As três principais reivindicações da categoria são:

– Câmeras de segurança com monitoramento online 24 horas, integrado aos órgãos de segurança pública (como em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde o sistema garantiu redução de 90% dos arrastões, segundo o sindicato);

– Criação da Delegacia Especializada em Crimes no Transporte Coletivo;

– Mais viaturas da Guarda Municipal dedicadas exclusivamente ao patrulhamento do transporte coletivo.

O outro lado

Sobre a coação denunciada pelos trabalhadores, a Banda B entrou em contato com o Setransp, sindicato que representa as empresas do transporte coletivo, e recebeu a seguinte nota:

Ao perceber que sua estratégia de paralisações abusivas e inconsequentes já estava colocando a população contra o seu movimento, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) busca agora uma saída honrosa dessa arapuca em que se meteu, representada por paralisações diárias, longo período e com consequentes prejuízos à população e ao comércio. A artimanha consiste em acusar as empresas de ônibus de ameaça de demissão. É um caminho tão óbvio quanto falso.

As empresas deixam claro, mais uma vez e até por também serem vítimas dos crimes, que são solidárias ao Sindimoc e a população de Curitiba e Região Metropolitana em relação aos episódios de violência ocorridos no transporte coletivo. No entanto, consideram que uma série de paralisações apenas prejudicaria ainda mais o passageiro, como de fato aconteceu, e por isso buscaram, pela via legal, a continuidade do serviço.

As operadoras esclarecem, ainda, que estão participando ativamente na busca de soluções para esse problema. Só nesta terça-feira (12) tiveram reuniões, junto com a Urbs, com três empresas interessadas em instalar câmeras nos ônibus, e informam que esse assunto está sendo avaliado junto com outras medidas, como, por exemplo, fazer com que o botão do pânico, presente nos ônibus e nas estações-tubo, dispare um alerta diretamente nos centros de controle da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

As empresas de ônibus também integram o Comitê de Segurança no Transporte Coletivo na tentativa de conter a violência, junto com todos os entes que formam o sistema, entre eles o próprio Sindimoc, com quem, aliás, já debate o assunto há anos. Por isso, surge a dúvida: se já está participando do comitê, que é o fórum apropriado para encontrar soluções, será que o Sindimoc optou por esse cronograma de paralisações por causa única e exclusivamente da falta de segurança? Ou também pode ter a ver com a perda do Fundo Assistencial? No fim, os protestos, em vez de apontar soluções, apenas mostraram o sindicalismo de greve que tomou conta do Sindimoc.