A prefeitura de Curitiba anunciou, nesta quarta-feira (24), que vai retirar os bustos das estátuas de bronze das praças da cidade e desenvolver protótipos em 3D para cada uma delas. De acordo com a administração, o objetivo é combater os furtos desse material, que tem sido alvo de ladrões, assim como fios de cobre e outros tipos de metais. A gestão ainda estuda se as peças originais retornarão aos locais com dispositivos de reforço de segurança ou se as réplicas serão colocadas após esse processo.

(Foto: Flávia Barros – Banda B)

Além dessa medida, com o apoio da Polícia Civil e da Guarda Municipal, a prefeitura realizou fiscalização em sete depósitos de sucata na capital, onde foram encontrados diversos materiais de origem duvidosa. As iniciativas fazem parte do Programa de Proteção ao Patrimônio Histórico, lançado pelo prefeito Rafael Greca (PMN).

Segundo ele, os bustos retirados serão guardados no Memorial de Curitiba para serem preservados. “A partir daí, nós vamos desenvolver um arquivo de protótipo em 3D e um dispositivo de segurança para cada peça, para evitar os casos de furto. O bronze é um metal muito mole e, com o narcotráfico e a receptação, é comum que pessoas drogatizadas roubem esse material a preço de nada para quem vai derretê-lo, para comprar drogas”, disse Greca em entrevista coletiva.

Os recursos para o programa, que chegam ao valor de R$ 1,5 milhão, são provenientes da Preservação de Patrimônio Cultural de Curitiba. De acordo com o prefeito, os bustos devem ser retirados das praças até a Páscoa, em abril, com o prazo para devolução previsto para o ano que vem. “Eles ficarão guardados no Memorial por todo o tempo da prototipagem e a colocada do dispositivo. Por último, serão feitas réplicas em resina ou metal nobre e, assim, cada um deles será salvo de ser roubado a preço de nada”, completou.

Recentemente, foram registrados furtos do busto da Madre Maria dos Anjos, que ficava na Praça Rui Barbosa, e dos fundadores da Universidade Federal do Paraná Nilo Cairo, Plínio Tourinho e Victor Ferreira do Amaral, todas na Praça Santos Andrade.

Fiscalização

Os sete depósitos de sucata vistoriados pela prefeitura, cinco no Boqueirão e dois no Parolin, estavam em situação irregular. Eles não tinham licença e guardavam fiação de cobre, peças em bronze e outros metais de origem duvidosa. “A investigação começou essa semana. Nós averiguamos a procedência das informações e descobrimos indícios de que as pessoas fiscalizadas possam estar ligadas a esses delitos, o que vamos apurar em breve”, explicou o delegado Fábio Machado, da Divisão de Polícia da Capital (DCCP).

A Polícia Civil, junto com a Guarda Municipal, deve atuar para combater tanto os furtos e roubos como a receptação dos materiais levados.