(Fotos: Colaboração/Banda B)

 

Uma confusão foi registrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Fazendinha, em Curitiba, no começo da tarde desta quarta-feira (14). Ao entrar no consultório para ser atendida, após realizar a triagem, uma paciente deu início a um ‘quebra-quebra’, jogou o computador da sala no chão e xingou a médica que trabalhava no local.

A denúncia chegou à Banda B por meio de um membro do corpo médico da UPA, que preferiu não se identificar. “A minha colega foi agredida por uma usuária da unidade e a gente levou quase uma hora para encontrar um guarda municipal. A mulher entrou no consultório, jogou o computador no chão, começou a gritar e xingar a médica e não havia ninguém para defendê-la”, comentou a profissional à reportagem.

Segundo ela, a colega não chegou a ser agredida fisicamente, mas a paciente teria destruído o lugar. Não se sabe, no entanto, o motivo pelo qual ela tomou essa atitude, já que não havia uma longa fila de espera na UPA – o que costuma causar confusões entre os usuários e os funcionários nas unidades da cidade.

“Não havia demora, a fila estava pequena, com apenas 14 pessoas para serem atendidas. Ninguém entendeu o que aconteceu. O fato é que deveria haver guardas na UPA, mas não tinha nenhum, nem na guarita da frente nem na dos fundos. Há muitos anos nós pedimos mais segurança aqui, já temos inúmeros Boletins de Ocorrência registrados”, completou a profissional.

“Estamos no limite”

De acordo com ela, todo o corpo de funcionários está esgotado com essa situação, passando por casos de estresse e ansiedade. “Existe um botão de pânico na unidade, mas o painel onde ele acende fica em uma sala onde não tem guarda. Fora que só tem a luz, mas nenhum sinal sonoro. Um dia vão matar alguém na UPA, porque é tanta agressão verbal que nós ouvimos, que estamos no limite”, desabafou.

A funcionária ainda relatou que, além das agressões sofridas no dia a dia, os médicos e enfermeiros ainda precisam lidar com o assédio moral. “Diante de tudo isso, a chefia nos manda mensagem dizendo que nós estamos lentos demais… A situação está insuportável. Já pedimos ajuda para o sindicato, para o Conselho Regional de Medicina, mas ninguém se manifesta”, finalizou.

Resposta

Sobre a falta de segurança e o assédio moral mencionados na reportagem, a Banda B procurou a prefeitura de Curitiba, que enviou a seguinte nota:

A Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes) confirma que nesta quarta-feira (14) houve um incidente com uma paciente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Fazendinha.

Ela reclamava da demora no atendimento, embora o tempo médio de espera no início da tarde estivesse em 1h30 no eixo verde (não urgente), tempo dentro do preconizado para sua demanda.

A paciente se descontrolou e tentou agredir uma médica e uma enfermeira de plantão. No momento do ocorrido, o guarda municipal não foi localizado e, quando a paciente foi acalmada, recebeu atendimento médico.

A direção da UPA está verificando onde estava o guarda municipal de plantão e informa que não é comum a ausência do profissional da Unidade.

A informação de pressão de chefias não confere. Não há orientação para que sejam acelerados os atendimentos aos pacientes, mas sim atendidos em caráter de urgência e emergência como preconizam as portarias das UPAs, entendendo-se que os atendimentos não são ambulatoriais.

É realizado um constante monitoramento do tempo médio de atendimento nas UPAs. Casos de emergência não aguardam e são prontamente atendidos. Para os casos não urgentes, o tempo de espera é constantemente monitorado e, se verificado o aumento da demanda, a equipe médica é reforçada.