Moradores de duas vilas da Cidade Industrial de Curitiba bloquearam as duas pistas do Contorno Sul, na manhã desta terça-feira (14), por cerca de uma hora. Os dois sentidos foram afetados e o congestionamento atingiu cerca de três quilômetros. O protesto aconteceu devido ao cumprimento de reintegração de posse de um terreno, em que 240 famílias invadiram durante o fim de semana. O local é de propriedade da Prefeitura de Curitiba e estava sendo monitorado.

Por volta das 7 horas, policiais militares e guardas municipais iniciaram a reintegração. O terreno fica às margens da BR-376, próximo a empresa Pé de Feijão, e foi invadido durante o fim de semana por diversas famílias. O representantes das famílias, Geovane Bressan, garantiu que  nenhum morador viu documentos judiciais que comprovassem o pedido de retirada dos moradores.

“A gente separou os terrenos, dividimos em ruas, tudo bonitinho para ficar bonito. As construções estavam erguidas, outras no meio. A polícia entrou por trás, vieram fazendo arrastão, tirando à força, dando tiro de borracha em mulher grávida, acertando crianças. Eles não tinham mandado judicial, ninguém nos mostrou nada. Nem deu tempo, estamos aqui há dois dias, só”, contou à Banda B.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) dava apoio ao cumprimento de reintegração quando moradores revoltados com a medida decidiram bloquear o Contorno Sul, na altura do quilômetro 595. Com pneus queimados e pedaços de madeira, ambas as pistas ficaram interditadas por cerca de uma hora. Policiais rodoviários solicitaram apoio ao Corpo de Bombeiros (CB), que liberou a pista momentos depois. Houve novo bloqueio para a limpeza da pista, que durou menos de dez minutos.

Embora a inspetora Cleusa da Guarda Municipal, que estava no local, tenha optado em não falar com a imprensa, a assessoria da Prefeitura de Curitiba confirmou que o terreno invadido é municipal e estava sendo monitorado pelas autoridades.

A administração municipal enviou uma nota sobre o caso:

A área de um terreno de propriedade da Curitiba S/A, localizado na CIC, foi desocupada na manhã desta terça-feira (14/11). O início da invasão aconteceu no último sábado (11/11). Equipes da Administração Regional chegaram a acertar a saída dos ocupantes, que desistiram de deixar a área ainda no fim de semana.

Segundo informações da companhia responsável pela regularização de terrenos na CIC, hoje havia cerca de 50 pessoas no local. A operação de retirada contou com o apoio da Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal, envolvendo 100 agentes de segurança. Desses, 80 eram guardas municipais.

O local, além de ter abrigado uma vala séptica para lixo hospitalar controlada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, e representar risco de contaminação, conta com um sítio arqueológico recentemente descoberto por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná.