A Paróquia São Braz comemora nesta segunda-feira (16) três meses da instalação da Geladeira Solidária, em Curitiba. O projeto foi abraçado pela comunidade do bairro, já conta com parcerias entre moradores e restaurantes, que abastecem a geladeira das 8 horas às 23 horas. O projeto proporciona alimentos a pessoas que – por algum motivo – estão com fome e não conseguirão saciá-la.

O ponto estratégico para a geladeira vem dando certo. Ela fica em um vão, entre o portão da paróquia, na rua Antônio Escorsin. Sem travas, chaves ou qualquer impedimento, a geladeira serve para armazenar alimentos oferecidos a pessoas com fome. Desde a instalação, início de fevereiro, o regime de abastecimento da geladeira acontece por meio dos frequentadores da paróquia, pelos próprios moradores do bairro e também por meio de uma parceria com três restaurantes na região.

A ideia de instalar a geladeira veio do interior, depois de uma viagem do revendedor de um frigorífico a Paranavaí. “Eu sou de lá e em uma das visitas aos meus pais, vi que tinha uma no distrito de Sumaré, gostei e conversamos com o padre Juarez, que abraçou a ideia. Nós fizemos uma autorização do jurídico da cuia e passamos a fazer o projeto”, contou Valmir Lafraia, frequentador da paróquia há anos.

Por dia, cerca de trinta marmitas, produzidas na própria paróquia, são colocadas pouco antes do almoço. À tarde, há lanches e frutas. Nada de sobras, alimentos frescos. “Existem conscientizações – a primeira é que as pessoas doem alimentos, não é o resto do meu prato. As pessoas fazem alimentos, fazem um pouquinho a mais e colocam na geladeira, aquele que tem fome ou sede se alimenta”, descreveu Valmir à Banda B.

Experiência

O grupo responsável pela geladeira possui outro projeto, também de levar alimentação aos moradores carentes, há décadas. Toda semana, eles se reúnem e produzem cerca de 1,2 mil marmitas para serem entregues por toda a cidade. “Antes demorávamos para entregar todas, agora dura cada vez menos. Vamos para a Praça Tiradentes, para o Rebouças, outro pessoal segue para as praças. Não são só moradores de rua, não. São pessoas que tem fome, essa é a única regra”, alerta Valmir.

Ao todo, são 220 quilos de ingredientes para a produção, que começa as 8 horas. O prato de hoje é feijoada e os 100 quilos de arroz, 50 de feijão e todo aparato de carnes suínas ficarão prontos até as 17 horas. “Trinta pessoas na produção, tudo da melhor qualidade, a gente almoça aqui, passamos o dia produzindo e depois vamos saímos em caminhonetes. É um dos princípios da Bíblia, dai pão a quem tem fome”, finaliza um dos responsáveis pelo projeto.