Três maiores times do Estado estão analisando proposta. Foto: Banda B

 

A presença de apenas uma torcida em estádios durante jogos de futebol em Curitiba será testada em um projeto-piloto proposto pelo Ministério Público do Paraná, com o apoio da Polícia Militar e da Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe). O primeiro teste será feito com a torcida do Atlético-PR, no próximo dia 16 de maio, na Arena da Baixada, em um jogo pela Copa do Brasil contra o Cruzeiro. Segundo o MPPR, o Coritiba está receoso e o Paraná Clube pediu mais tempo para analisar a proposta.

O objetivo da torcida única é reduzir as ocorrências de atos de violência entre torcidas rivais, dentro e fora dos estádios e, consequentemente, a quantidade de efetivo policial necessário nos dias de jogos. Segundo os estudos do MPPR, além da segurança no estádio e seu entorno, todo o percurso feito pelas torcidas organizadas até os locais dos jogos é acompanhado por escolta de policiais militares que precisam ser remanejados de seus postos de trabalho em outros pontos da cidade e até da região metropolitana.

De acordo com o promotor de Justiça Maximiliano Ribeiro Deliberador, somente a partir do projeto-piloto será possível avaliar os reais impactos para a sociedade, especialmente quanto à segurança pública. “Existe um comitê para evoluir com esse projeto-piloto, por enquanto, nesse primeiro momento, apenas o Atlético-PR vai realizar essa iniciativa. Mas a proposta foi feita para todos os clubes. A proposta é para o próximo dia 16, isso vai ser decidido na próxima reunião”, disse à Banda B.

Dados da Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital mostram que em São Paulo, onde a medida já foi adotada, algumas mudanças foram observadas, como a redução em 31% do efetivo do Batalhão de Choque e 15% do efetivo externo da Polícia Militar, necessários nos dias de partida, a diminuição em 65% do total de escoltas realizadas para o acompanhamento das torcidas e o aumento em 23% do público presente nos jogos. No Paraná, a expectativa é de que os números sejam ainda mais expressivos, uma vez que, diferente de São Paulo, em Curitiba a medida não se restringirá aos clássicos.

“Não haverá impedimento de nenhum torcedor para entrar no estádio. O Estatuto é bem claro, o torcedor tem direito de sentar onde ele comprou ingresso, e em nenhum momento diz que você precisa reservar espaço no estádio, dividir o estádio, duas torcidas como se fossem batalhas, inimigos. A ideia é mudar esse paradigma do futebol, isso é difícil, mas essa é a proposta”, defendeu.

A ideia também visa deslocar mais policiais para locais onde confronto entre torcedores acontecem com frequência – em terminais de ônibus. “A estrutura policial que vai fazer a escolta dos torcedores visitantes é realocada para fazer um trabalho de repressão e inteligência nos bairros e nos terminais”, explica o promotor de Justiça.

Além da diminuição da violência e do custo, que acaba sendo arcado pelo cidadão que paga pelas estruturas de polícia, o MPPR quer trazer de volta aos estádios aqueles que, por receio de ocorrências de violência, se afastaram.

Segundo o MPPR, as diretorias de todos os clubes estão participando das reuniões. “As conversas continuam, o Coritiba por enquanto está receoso, nesse primeiro momento, e o Paraná Clube pediu um tempo maior para estudar e acompanhar os números. Aguardamos ansiosos o resultado desse trabalho”, finalizou Maximiliano.