Foto: Agencia Brasil

 

Com 353 casos e 98 mortes confirmadas entre 1º de julho de 2017 e 6 de fevereiro, a febre amarela tem causado preocupação em uma grande parcela da população brasileira. Questionamentos sobre a segurança da vacina e transmissão por macacos vieram à tona e o assunto passou a ser pauta constante no noticiário nacional.

Para responder questões sobre a doença, a Banda B conversou com a superintendente de Vigilância em Saúde do Paraná, Júlia Cordellini, que respondeu alguns dos questionamentos mais comuns da população.

Confira mitos e verdades sobre a febre amarela:

Se eu não moro na área de risco ou não vou viajar para uma dessas áreas, é melhor eu não me vacinar?

Verdade! Como qualquer vacina, a da febre amarela primeiro tem a faixa etária definida, indicações e contra-indicações. Se você não mora na área de recomendação ou não está viajando para uma área de risco, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Amazônia, você não precisa tomar a vacina.

Nenhuma grávida deve ser vacinada contra a febre amarela?

Nem mito, nem verdade! As grávidas que estão em área de comprovada circulação viral, como Mairiporã, precisa ser avaliado sempre o risco e o benefício. Entre ter a doença, como está a situação epidemiológica, a carga de vírus na cidade. É por isso que dizemos que essas pessoas precisam de uma avaliação médica.

Tenho alergia ao ovo, por isso não posso receber a vacina da febre amarela?

Nem mito, nem verdade! Quando colocamos alergia grave ao ovo, é para que a pessoa entenda que alergia grave não é uma má digestão. Alergia significa que a pessoa pode ter uma reação maior, então é preciso um quadro alérgico anterior do tipo de parar a respiração, com pele vermelha e lábios inchados. Por isso está escrito “alergia grave”, não é uma intolerância ou má digestão.

Macacos não transmitem a doença?

Pura verdade! Os macacos não transmitem a febre amarela, quem transmite é o mosquito. O macaco também é uma vítima dessa picada do mosquito infectada. O macaco, inclusive, é um evento sentinela. Como eles estão em áreas silvestres e matas, lá nas copas de árvores, eles indicam que o mosquito está ali circulando. Matar o macaco é absurdo e, sem eles, o mosquito volta para picar o homem. É preciso, ao ter um macaco morto, notificar rapidamente a secretaria do seu município, para que as providências em investigar as causas sejam tomadas.

Tomar a vacina é um risco por causa da reação?

Nem mito, nem verdade! Qualquer medicação tem risco, por isso dizemos que é necessária avaliação de risco e benefício. Ela pode ter risco, como qualquer outra vacina, agora ela também é extremamente segura e tem uma efetividade muito boa de proteção. Por isso, as pessoas não devem se vacinar fora da faixa etária recomendada e se estiver com alguma contra-indicação, como gestantes, imunodeprimidos, crianças abaixo de nove meses, pessoas a partir de 60 anos, pessoas que são transplantadas, uso de corticóides, que fazem uso de quimioterapia, pacientes oncológicos, esses não devem tomar. Está contra-indicado, a não ser que seja avaliado o risco/benefício.

Não há casos urbanos de febre amarela?

Completa verdade! Não há casos urbanos de febre amarela desde 1942. O que está acontecendo em São Paulo e Rio de Janeiro, refere-se a casos de febre amarela silvestre.

Se a pessoa tem um caso importado de febre amarela em Curitiba, por exemplo, há risco do vírus circular aqui?

É mito! Essa pessoa veio, foi prontamente atendida, o período de transmissão já passou e não houve nenhum outro caso. Inclusive o marido não teve a doença. Essa pessoa não vacinou e não se cuidou com repelente. A gente mais uma vez diz, não temos casos de febre amarela autóctones no Paraná. Essa mulher está bem, foi rapidamente atendida e encontra-se em casa. Rapidamente a Vigilância foi rapidamente ao encontro para identificar possíveis outros casos e isso está eliminado.

Preciso tomar a vacina a cada dez anos?

Mito! A Organização Mundial da Saúde vem publicando estudos em que mostram que uma única dose é suficiente. O Ministério da Saúde também publicou oficialmente nota técnica referendando que no Brasil a dose é única. O Paraná, inclusive, não faz dose fracionada. Aqui fazemos a dose padrão, que tem validade permanente.

A febre é o principal sintoma da febre amarela?

Verdade! Por isso o nome é muito sugestivo, porque a pessoa inicia com quadro de febre alta, tendo sintomas como dores musculares e nas juntas, uma cefaléia, náusea, vômito. É nesse momento que se deve procurar rapidamente o serviço de saúde, para que o médico faça o diagnostico diferencial, saber se a pessoa viajou para outros lugares com circulação e tomar as devidas providências. Se ela procurar o serviço mais tarde, já estará com os olhos amarelados.

Existe tratamento específico para febre amarela?

Mito! São tratamentos sintomáticos, por isso a pessoa precisa fazer a rápida ida ao serviço de saúde se começar com esses quadros que podem sugerir dengue, Zika, Chikungunya, outras arboviroses, leptospirose, hepatites agudas, febre maculosa, malária, então é preciso o diagnóstico diferencial. Se for febre amarela, que sejam tomadas as devidas providências, ou se for outras doenças, que sejam dados os devidos encaminhamentos.

Sintomaticamente, a febre amarela é mais perigosa que a dengue?

Sintomaticamente significa que a pessoa que pegou é que vai determinar, de acordo com seu estado imunitário. Agora, ambas são doenças sérias que podem levar à morte.

Febre amarela mata?

Verdade, dependendo do caso. Não quer dizer que todo mundo que teve febre amarela vai morrer. Falamos sobre a moça que veio de Mairiporã e ela não morreu. Outras pessoas têm doenças como a febre amarela e nem sabe que teve.

A vacina é a única forma de prevenção da doença?

Verdade, mas precisamos complementar. A prevenção também precisa ser feita com o repelente, que vai proteger você também em caso de exposição a outros possíveis vetores. E também, uma prevenção que vai do cuidado e de cada pessoa, se você está sabendo de uma área de circulação viral e puder evitar ir, isso também é uma forma de prevenção. Por exemplo, uma pessoa que esteja indo para Mairiporã, pode se auto questionar se precisa ir para esse local no momento.

Mesmo vacinado, há risco de pegar a doença?

Apesar de dar uma efetividade de quase 100%, ainda existe um risco de 5 a 2 por cento de possibilidade, mas dificilmente uma pessoa vacinada vai contrair febre amarela.