Copeira deixou marido e filho. Foto: Reprodução Facebook

A família da copeira Rosaira Miranda da Silva, morta dias depois de ser baleada em uma festa de confraternização da empresa, deverá receber uma pensão no valor de um salário mínimo por mês. A policial civil que efetuou o disparo e o Estado do Paraná serão os responsáveis por arcar com as despesas, conforme determinado pela Justiça.

Kátia das Graças Belo é ré confessa no processo criminal em que responde por homicídio, já que efetuou um disparo de arma de fogo pela janela de casa para tentar cessar som e conversa da festa em que a copeira participava. O tiro atingiu a cabeça da trabalhadora, que morreu no hospital dias após.

Para a Banda B, a advogada que representa a família, Caroline Salmen, garantiu que os danos materiais e morais foram acatamos de imediato pela Justiça. “A gente entrou com uma ação pedindo danos materiais e morais pelo homicídio praticado pela policial. No material, pedimos a restituição dos gastos com funeral, direito pelo Código Civil, e também de imediato a pensão para a família. O juiz deu liminar e determinou que, antes de ser julgado se tem ou não esse direito, ele reconheceu que a família passa necessidade, existe essa urgência por se tratar de uma verba alimentar e, portanto, estabeleceu de primeira que ambos sejam responsáveis pela pensão”, descreveu.

Kátia Belo, a policial civil que confessou ter disparado um tiro durante a festa. Foto: Reprodução Polícia Civil

O juiz Vinicius Pires de Camargo Oliveira considerou na decisão que o salário da copeira (R$1.401,10) era imprescindível para o sustento da família. Parte do trecho da decisão destaca que o salário de Rosaira “(…) sem sombra de dúvida, faz falta aos autores (ajudava consideravelmente nas despesas mensais da família.”

Segundo a advogada, o primeiro pagamento deve ser realizado a partir de fevereiro. “O Estado está sendo responsabilizado também pelas atitudes da policial, já que ela é uma agente do estado e agiu de forma errada”, finalizou Caroline. Caso a policial e o Estado descumpram a decisão, a pena é de multa de R$ 500 por dia.

O crime

Rosaira participava de uma confraternização no dia 23 de dezembro de 2016, no Centro Cívico, quando foi baleada na cabeça. Ela chegou a ser socorrido e ficou internada no hospital, mas não resistiu e morreu no dia 1º de janeiro. Na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Kátia disse que se irritou com o barulho da festa, que ocorria ao lado de casa. O disparo teria sido feito da janela do apartamento dela.

A investigação da Polícia Civil apontou que Kátia fez mais de um disparo contra a festa em que a vítima estava. De acordo com a análise da Polícia Científica, uma das simulações mostra que a janela de Kátia é compatível com a trajetória da bala que atingiu a cabeça de Rosária. A investigação encontrou ainda um vídeo de monitoramento de uma empresa vizinha, que apontaria que a investigadora fez pelo menos dois tiros contra a festa e não um como afirmou em depoimento na DHPP. As imagens mostrariam clarões vindos da janela da policial.

Kátia foi indiciada pela DHPP pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, motivo fútil e sem defesa pra vítima. O inquérito foi assinado pelo delegado Fábio Amaro.

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