(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

 

Moradores se reuniram na tarde desta sexta-feira (2) em protesto pela reabertura da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade Industrial de Curitiba. Eles saíram da frente do prédio, na Rua Senador Accioly Filho, e seguiram até o quilômetro 595 da BR-376, onde bloquearam a rua por aproximadamente uma hora.

Além de pedir pela volta do funcionamento da unidade, que foi fechada em novembro de 2016 para reformas, o grupo se manifestou contra a terceirização do serviço na UPA, como defende a prefeitura. “O Greca pretende terceirizar e nós somos contra isso. Queremos trabalhadores concursados, porque só assim o serviço será de primeira qualidade. Nós precisamos dessa UPA aberta, as pessoas mais humildes não têm condições de sair daqui para ir até outro posto”, disse Shirley Garcia, representante da Associação de Moradores das Moradias Corbélia, em entrevista à Banda B.

A vereadora Professora Josete (PT) também participou da manifestação. Para ela, a contratação de organizações sociais – o contrato OSs – para atuarem na UPA resultará na precarização no atendimento aos pacientes. “Nesses casos, as empresas pagam salários mais baixos e a tendência é diminuir a qualidade, além dos desvios que prejudicam ainda mais o serviço. O prefeito poderia ter feito o contrato via concurso público ou via Feaes, como acontece com todas as unidades do município, mas não o fez. Ele disse que quer economizar, mas tem que economizar desde que garanta um serviço de qualidade”, afirmou.

Os manifestantes liberaram o tráfego no Contorno Sul por volta das 18h. Eles pretendem continuar o protesto na Avenida Juscelino Kubitschek.

O outro lado

A secretária de saúde de Curitiba, Márcia Cecília Huçulak, afirmou que a UPA da CIC deve ser reaberta em maio deste ano, se não houver mais nenhum empecilho na esfera judicial. De acordo com ela, a retomada dos trabalhos só foi possível porque a prefeitura conseguiu reverter a liminar do Ministério Público que havia suspendido o edital de chamamento para a terceirização da UPA.

“A liminar requerida foi uma surpresa, porque todo o processo está calçado na legalidade. Existem leis municipais, estaduais e federais que permitem a contratação de uma organização social para a prestação de serviços. Nós somos uma das poucas cidades do Brasil que não tem Unidade de Saúde contratada”, disse a secretária.

Segundo ela, nada vai mudar para os usuários que frequentarem a unidade. “É só uma alteração na forma de organização. O local terá que seguir as regras e normas do município, como qualquer outro. A única diferença é que haverá um agente mais ágil para os processos de contratação das empresas de todas as áreas, de limpeza, manutenção, alimentação, rouparia… Nós conseguiremos agilidade onde temos limitações”, completou.

A secretária ainda comentou que a ideia de terceirizar a UPA foi inspirada por outros municípios onde o processo funcionou. “Temos uma boa equipe de controle para acompanhar toda a situação, para que não haja problemas. A avaliação vai garantir que nenhuma empresa entre sem condições de atuar. Esse tipo de contratação é tendência sim e, se ela nos trouxer eficiência no atendimento, com menos custos, vamos buscar mais alternativas nesse sentido”, finalizou.