(Foto: Reprodução/Banda B)

 

Dos 12 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) inaugurados em Curitiba, mas que ainda não estão em funcionamento, dois deles devem abrir as portas a partir do fim deste mês, de acordo com a secretária da Educação, Maria Silvia Bacila. Os novos CMEIs abertos para a população serão o Milton Luiz Pereira, no Tatuquara, e o Mussa José Assis, no Bairro Novo.

“Nós fizemos uma revisão completa nas 12 unidades que tinham sido inauguradas. Identificamos o que cada uma necessitava, levantamos o orçamento para a compra de materiais e a contratação de recursos humanos. Em um chamamento recente feito pela prefeitura, 22 professores devem assumir seus postos nesse mês, mas não necessariamente nos novos CMEIs, porque em muitos casos eles vão substituir funcionários que já se aposentaram”, explicou a secretária em entrevista ao radialista Geovane Barreiro durante o Jornal da Banda B 2ª Edição.

Segundo ela, a escolha prioritária pelas unidades do Tatuquara e Bairro Novo se deu devido à grande demanda da população. “Para o próximo ano, nós pretendemos fazer a abertura dos demais CMEIS, a partir de estudos técnicos com várias frentes, atuando com equipamentos que estejam efetivamente a serviço da comunidade. Cada Centro Municipal precisa, em média, de 20 a 30 profissionais para ter um bom funcionamento”, completou Maria Bacila.

A secretária ainda explicou que, por enquanto, 9 mil crianças esperam por uma vaga nos CMEIs da cidade. “É um baita desafio, mas nós temos outros números para pensar. Curitiba atende hoje 80% da demanda da educação infantil, sendo que o plano nacional para 2025 prevê que os municípios cheguem aos 50%. Ou seja, nós já ultrapassamos essa estimativa. Claro que não ficamos confortáveis com a fila que existe, mas vamos trabalhar cada vez mais para diminuí-la”.

De acordo com a secretária, a crise financeira que assola todo o país contribuiu para aumentar a demanda por vagas no sistema público de ensino, já que muitas famílias decidiram tirar os filhos de escolas particulares.

Em caso de crianças de 0 a três anos, os pais precisam passar por uma série de avaliações, inclusive com visita domiciliar, para conseguir colocar o filho no CMEI – as famílias em vulnerabilidade social têm prioridade nesse sentido. Já para os pequenos de quatro a cinco anos de idade, não há distinção e todos devem ser atendidos pela rede pública.

Caso Nice Braga e Maria Nicolas

No fim de outubro, a Banda B noticiou o impasse entre a prefeitura e pais de alunos do CMEI Nice Braga, no Santa Quitéria, e da Escola Municipal Maria Nicolas, na Vila Izabel. Na ocasião, a prefeitura anunciou que realocaria a equipe docente e os estudantes da Maria Nicolas, devido a rescisão do contrato de aluguel do imóvel, para a instalação onde funciona o CMEI. A comunidade escolar ficou revoltada com a decisão que, segundo ela, não foi discutida abertamente.

Sobre o caso, a secretária afirmou que o diálogo ainda está aberto com os pais dos alunos de ambas as unidades. “No Nice Braga, nós temos sete mil metros quadrados que podem abrigar tanto as crianças do CMEI quanto da escola Maria Nicolas. Nós estamos registrando todas as dúvidas e sugestões das famílias para trabalhar com as necessidades apontadas por elas”.

De acordo com Maria Bacila, tudo começou ainda no início da gestão, quando a secretaria recebeu a informação de que o proprietário do imóvel da escola não tinha mais interesse em renovar o contrato de locação. “As condições em que as crianças estavam ali também nos chamou a atenção, o que nos levou a pensar no CMEI Nice Braga, onde há salas ociosas e a possibilidade de ambas as instituições coexistirem, sem prejuízo para ninguém. Mas essa decisão ainda não chegou a um fim”, finalizou.

Hoje, Curitiba tem 185 escolas que atendem o Ensino Fundamental, além de 206 CMEIS. No total, são 140 mil estudantes atendidos pela rede pública em toda a cidade – sendo 30 mil na educação infantil. O trabalho da secretaria agora é pensar na organização estrutural, pedagógica e de recursos humanos para melhorar a qualidade do ensino.