(Foto: Arquivo pessoal)

 

É difícil encontrar quem nunca teve receio de passar perto do pássaro ‘quero-quero’ ou que ao menos não conhece a fama de arisco que ele tem. Pois é, diante do comportamento aparentemente agressivo da ave, quem diria que a gerente administrativa Danieli Monteiro Sternheim, de 42 anos, conseguiria manter uma relação tão próxima com esse animal.

Aves fazem uma ‘boquinha’ na garagem de Danieli. (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo ela, tudo começou há cerca de dois anos, quando ela se mudou para a residência onde mora, no Bairro Alto, em Curitiba. “Eu já vivi em chácara e tinha pavor de quero-queros, eles sempre davam um corridão na gente. Quando me mudei para cá, vi que esses pássaros também rondavam a vizinhança e eu já fiquei meio assim. Mas o pessoal me disse que eles são bons, que são melhores que alarmes, já que fazem barulho logo que alguém chega”, disse Danieli em entrevista à Banda B nesta sexta-feira (9).

Já acostumada com a ideia de ter as aves por perto, um dia, a gerente deu de cara com uma ninhada de quero-queros. Estavam ali o pai, a mãe e três filhotes. “Eu percebi que o macho saiu e não voltou mais. A fêmea ficou sozinha, coitada, e os filhos corriam para tudo quanto era lado. Por isso, eu comecei a cuidar deles, com a ajuda de vizinhos. Com o tempo, nós fomos criando uma relação”, completou.

Da primeira ninhada, sobraram apenas a mãe e um filhote, que passaram a ser alimentados por Danieli. “Eu vi que a mãe não saía mais para a rua e, então, eu decidi comprar e adaptar uma ração especial para eles. Coloquei ali no cantinho do meu jardim e eles iam pegar a comida. Chegou em uma situação em que eu chamava os quero-queros para comer e eles vinham. Eles me seguem, saem do meio da rua quando eu peço, por medo dos carros pegarem, e já estão até na minha garagem”.

Visitantes

De acordo com a gerente, as aves costumam ficar mais tempo no jardim dela na época de reprodução. Quando não há ninhada, elas passam para fazer uma visita de tempos em tempos e aproveitam para fazer uma boquinha. “Na última vez, a mãe teve três filhotes, mas um gavião pegou os bichinhos. Os pais ficaram praticamente inconsoláveis e eu cheguei pertinho deles, tentando conversar mesmo, igual eu falo com cachorro”, comentou ela.

Essa relação entre Danieli e os quero-queros já dura dois anos. Hoje, ela consegue ficar bem próxima das aves, só tem receio de tocá-los. “Eles são ariscos, então foi uma troca de confiança, nós fomos chegando aos poucos e deu certo. Eu tenho uma filha de 18 anos, que mora comigo, e outra de 24 que já casou. Tanto elas quanto o meu marido se apegaram aos pássaros e até os meus vizinhos ajudam a cuidar. Os dois animais que sempre voltam só não têm nome. A gente brinca que um é o ‘quero’ e o outro é o ‘quero’”, finalizou, rindo.

Vídeo

Assista abaixo ao vídeo que mostra Danieli dando ração para as aves em uma praça perto da casa dela: