(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

 

Moradores de Curitiba se reuniram para dar um ‘abraço coletivo’ na Praça do Japão na manhã deste domingo (18). O objetivo, segundo eles, é protestar contra a implantação do ligeirão Norte-Sul nas atuais condições divulgadas pela prefeitura.

A manifestação, organizada pela Comissão SOS Praça do Japão, também recolheu assinaturas para um abaixo-assinado, no intuito de cobrar explicações sobre as alterações que serão realizadas no local.

“Nós moradores não somos contra obra nenhuma, o que não concordamos é com a falta do cumprimento de todo o processo estabelecido pelo Ministério Público lá em 2012. É preciso ser feito um estudo de impacto ambiental e de vizinhança, além de audiência pública. Tem que haver diálogo, eles não podem simplesmente falar que vão fazer e pronto”, disse o coordenador do grupo, Acef Said, em entrevista à Banda B.

Segundo ele, a ideia é realizar atos todos os domingos na praça, para divulgar a causa e apresentar o abaixo-assinado para a população. “Nós estamos confiantes de que teremos mais de 50 mil assinaturas. Até agora, já passamos das 15 mil. A Praça do Japão é um ícone da imigração japonesa no Brasil, que em 2018 completa 110 anos. É esse o presente que a prefeitura quer dar?”, completou.

A Comissão deve enviar o abaixo-assinado à Câmara de Vereadores de Curitiba e ao Ministério Público do Paraná (MPPR).

O que dizem os moradores

A aposentada Maria do Rosário Nunes, que mora no entorno da praça, é contra a implantação do ligeirão nas atuais condições. “Esse lugar é patrimônio do bairro. Nós já temos poucas áreas verdes, já que a pracinha do Batel foi destruída. Crianças, idosos e cadeirantes frequentam o local, para pegar sol e passear. Acho que, do jeito que está, ele pode sim ser destruído, teremos mais barulho, porque os ônibus passam rápido… Com os coletivos, as pessoas se sentirão intimidadas para virem aqui”, comentou.

A opinião de Maria é compartilhada pela moradora Lenice Maia, que afirma ter percebido o início de algumas obras ao redor da praça. “Eu sempre passo por aqui e, há mais ou menos 30 dias, vi na esquina maquinários pesados removendo asfalto. No início, nós achamos que podiam ser reparos na tubulação ou algo assim, mas descobrimos que estão reforçando a via para a passagem do ligeirão”.

Leunice também reclamou da falta de diálogo da prefeitura com a população sobre como o coletivo será implantado no local. “A gente não sabe ao certo como será tudo isso e já tem obra começando. Nos preocupa a maneira como isso está sendo conduzido. Nós não somos ‘ninguém’, temos interesse pelo desenvolvimento da cidade e pelo transporte coletivo, mas esse jeito é um desrespeito com os moradores”, finalizou.

Ligeirão

O anúncio da implantação foi feito pela prefeitura foi feito no último dia 8, com a alegação de que não haverá alterações na Praça do Japão. A expectativa da administração municipal é de em sua primeira etapa de funcionamento, o ligeirão transporte 36 mil passageiros por dia com ganho de tempo na ligação entre o Terminal Santa Cândida e a estação Bento Viana, no Batel.

Com o funcionamento da linha, a estimativa é que as viagens no percurso entre os terminais desde o Norte da cidade ao Batel e vice-versa sejam até 20 minutos mais rápidas (metade do tempo atual), em comparação com o tempo gasto com a paradora Santa Cândida/Capão Raso.

Prefeitura

Sobre o caso, a prefeitura publicou, no dia 9 de fevereiro, esclarecimentos sobre o funcionamento do ligeirão. De acordo com a gestão, os pontos levantados para justificar a implantação das linhas são: o trecho de cerca de 11 km será cumprido em 20 minutos, os veículos vão contornar a praça em velocidade reduzida e a região é Eixo de Transporte de Alta Capacidade desde 1966 e tem ônibus desde 1974. A administração ainda ressaltou que não haverá nenhuma alteração na praça.

A nova linha do Ligeirão Norte-Sul entre o Santa Cândida e a Praça do Japão, no Batel, que deverá entrar em funcionamento no primeiro semestre, é uma ação importante para atrair novos passageiros ao transporte coletivo que atende a região, segundo o presidente do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) e secretário de Governo Municipal, Luiz Fernando Jamur.

Os benefícios serão gerados dando efetividade a obras finalizadas em 2014, que estavam sem uso, na canaleta exclusiva que estavam sem uso e ajustes mínimos no entorno da Praça do Japão. A estrutura da praça, no entanto, não sofrerá nenhuma alteração. 

As estações-tubo que servirão para embarque e desembarque são as mesmas que já atendem as demais linhas que passam pelo trecho – elas ficam na Avenida Sete de Setembro, próxima à Rua Bento Viana, a cerca de 250 metros da praça.

Leia o texto completo aqui.

Vídeo

Assista abaixo a um vídeo que mostra o abraço na praça: