(Fotos: Antônio Nascimento – Banda B)

 

Sete horas da manhã de uma sexta-feira. O ambulatório do Hospital do Trabalhador, em Curitiba, está lotado. Já não há mais lugar para sentar e muitos pacientes precisam esperar por atendimento do lado de fora. Às vezes, debaixo de garoa ou de chuva. São pessoas com braços e pés quebrados, engessados, com muletas, em cadeira de rodas… Essa é a realidade da saúde pública.

Nesta sexta (12), como é de praxe nesse dia da semana, o ambulatório oferece atendimento na área de ortopedia. No total, eram 190 consultas agendadas, para uma equipe de apenas cinco médicos. Diante dos números, o estresse e cansaço por parte dos pacientes e funcionários do hospital se tornam evidentes.

Esse é o caso, por exemplo, do morador do Campo de Santana, Velton da Silva. De muletas, após fazer cirurgia, ele esperou mais de três horas para ser atendido. “Eu cheguei umas 7h15 e peguei a senha de número 212, para uma consulta marcada para as 8h. Só fui ser atendido perto das 11h, e costuma ser sempre assim… Às vezes não tem nem lugar para sentar e, como não tenho condições de pagar por um plano particular, o jeito é enfrentar o SUS [Sistema Único de Saúde]”, desabafou.

Quem passou pela mesma situação foi Mauri Carvalho Fernandes, morador do Ganchinho, que estava com o pé quebrado. “Eu cheguei às 7h e perto das 12h ainda não tinha sido atendido. Peguei a senha 204 e fiquei na garoa, sem café da manhã, sem almoço…”, comentou.

De acordo com outro paciente, um pintor de parede que preferiu não se identificar, o estresse é tão grande no dia a dia do hospital que ele chegou a ter o pé engessado errado. “Eu me machuquei no ano passado durante o expediente de trabalho, umas 14h45 mais ou menos, me trouxeram aqui para bater um raio-x e só fui ser engessado às 3h da manhã do outro dia. Com o passar do tempo, os meus dedos começaram a ficar pretos e muito inchados. No fim, descobri que o meu pé estava torto. Eles tiveram que quebrá-lo de novo para arrumar”, relatou.

O que dizem os funcionários

Os funcionários do hospital reconhecem os problemas mencionados pela população. “O número de consultas é excessivo durante toda a semana e, na sexta-feira, que é o dia da ortopedia, é ainda mais cansativo, para os enfermeiros, médicos e principalmente os pacientes, que esperam por horas pelo atendimento”, afirmou um dos funcionários, que também não quis ter a identidade revelada.

Além das consultas, o ambulatório recebe ainda pessoas de unidades de saúde e pronto-socorro, sobrecarregando ainda mais a equipe médica. “Isso fora os procedimentos de tirar pontos, engessar ou realizar a mobilização do membro… Para hoje são 190 consultas agendadas para cinco médicos. São muitos atendimentos e pouco tempo, aí às vezes os médicos acabam até atendendo rápido, por causa da demanda. O ideal seria diminuir o número de consultas, fazer um agendamento melhor”, finalizou.

Resposta

Sobre as reclamações, a Banda B entrou em contato com a Secretaria Estadual da Saúde, que enviou a seguinte nota nesta segunda-feira (16):

O Hospital do Trabalhador mantém equipes completas para atendimento de urgência e emergência e para retorno dos pacientes. Eventualmente, o atendimento eletivo (retorno) pode ter interferência no tempo de espera por conta do número de atendimentos de urgência e emergência do pronto-socorro.