(Foto: Street View)

 

Um estudante de 59 anos morreu dentro de uma sala de aula na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no bairro Rebouças, em Curitiba. Informações extraoficiais é que Seiji Eduardo Otsuka morreu em decorrência de um infarto. Oficialmente, o Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba ainda não divulgou a causa da morte. Alunos e colegas de Seiji alegam que houve negligência no socorro médico, dentro da Universidade. A UTFPR divulgou uma nota oficial, mas não rebateu as acusações dos alunos.

Aluno do Curso de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações do Departamento Acadêmico de Eletrônica (DAELN), Seiji estava em sala normalmente e passou mal, na noite de sexta-feira (11). Alunos relataram que o pronto-socorro da Universidade fez o primeiro atendimento, mas sem nenhuma eficiência.

Colega de turma de Seiji há dois anos, um estudante de 28 anos disse à Banda B que correu até a enfermaria quando notou que ele estava no chão. “Tínhamos acabado de apresentar um trabalho, ouvi um barulho, pensei que o notebook dele tivesse caído no chão, mas quando olhei para trás vi que era ele, tremendo um pouco porque deve ter batido a cabeça na queda. Meus amigos foram pra cima dele prestar socorro e eu corri até a enfermaria. Do meu bloco até lá levei 30 segundos correndo, disse pra enfermeira que um aluno estava tendo uma parada cardiorrespiratória e pra minha surpresa ela foi fechar a sala. Eu fui correndo e ela andando, eu falando ‘rápido, rápido, precisa ser rápido”, descreveu.

O estudante relembrou ainda que a profissional da saúde notou a gravidade quando viu o estudante caído no chão. “Ela vai ser obstrução de vias aéreas, fazer os procedimentos, essas coisas. Nada, ela não fez nada disso, viu ele, viu que era grave, mas já tinha outro estudante estava fazendo massagem porque ela estava totalmente perdida. Ela disse que tinha que ligar para o convênio e eu ‘ué? cadê o número’, e ela disse que não sabia, que estava na portaria”, contou à Banda B.

Além disso, o mais grave, segundo os alunos, foi a ausência de bateria de um equipamento que contém um desfibrilador. “Quando eles abriram, estava sem bateria, descarregado, ninguém da manutenção carregou o equipamento. Enquanto isso, quem estava dando atendimento era o aluno ainda, a enfermeira sei lá onde estava. Corri lá pra fora e parei uma viatura da PM, pedindo pra eles acionarem o Samu com urgência”, completou o colega de classe da vítima.

Outro estudante dá o mesmo relato à Banda B e afirma ter visto alunos ou professores tentando reanimá-lo com massagem cardíaca. “Desde o momento em que cheguei na situação a massagem cardíaca já estava sendo feita, só não sei se era aluno ou professor. O desfibrilador estava sem bateria e tiveram que esperar mais um tempo até a ambulância chegar”, relatou o jovem de 22 anos, que cursa Engenharia Elétrica do UTFPR.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado por meio da Polícia Militar (PM) e realizou o atendimento. “Eles esvaziaram a sala para fazer o procedimento e o restante das pessoas ficou tentando entrar em contato com algum familiar”, finalizou o outro estudante que testemunhou os fatos.

A crítica dos estudantes é a insegurança do pronto-socorro da UTFPR. “Qualquer outra pessoa que precisar de atendimento vai continuar sem. Não podemos contar com eles, estamos fadados a esse mau atendimento. Depois disso, outras pessoas até falaram que já precisaram de atendimento e a sala da enfermaria estava fechada. A gente fica preocupado e que essa fatalidade sirva para alguma coisa”, finalizou o colega de classe de Seiji.

De acordo com uma nota divulgada internamente pelos professores no dia seguinte, a UTFPR lamentou a morte do aluno e garantiu que todos os primeiros socorros foram feitos. “Seiji sofreu um infarto em sala de aula, na sequência foi atendido pelo médico socorrista do convênio de ambulância e primeiros socorros do Campus, mas já havia entrado em óbito”, diz a nota, que finaliza afirmando que o aluno sofreu um infarto fulminante.

O corpo do aluno foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba e ficou na dependência de exames complementares para indicar a causa real da morte. A família fez a liberação pouco depois e o enterro aconteceu ontem (13) pela manhã, no Cemitério Parque Iguaçu.

** Atualização: Familiares de Seiji relataram à Banda B que a causa da morte do estudante foi um aneurisma. Segundo eles, “mesmo se o atendimento tivesse sido eficiente, não seria possível reanimá-lo”, lamenta a família.

Retorno

Sobre as denúncias dos alunos, a Banda B entrou em contato com a assessoria de imprensa da UTFPR e recebeu uma nota oficial, mas sem os questionamentos mencionados na matéria.

“Senji sofreu ruptura de um aneurisma da aorta em sala de aula durante a noite da última sexta-feira (11). Os primeiros socorros foram prestados dentro do Câmpus com o auxílio da equipe médica do convênio de ambulância. Segundo a equipe médica que acompanhou a ocorrência, o rompimento do aneurisma levou o aluno a óbito imediato, o que inviabilizou a realização de possíveis procedimentos que salvaguardassem sua vida”, finaliza a nota.