Foram liberados os dados sobre a Segurança em nosso país e o Paraná ficou em 5º lugar no Ranking.

Não podemos simplesmente ler os dados, mas devemos analisar o porquê esses dados estão aumentando ano a ano.

E como compararam os dados do Brasil com os Estados Unidos, devemos fazer também outras comparações.

Nos Estados Unidos, quando um marginal vai preso, ele fica preso, no Brasil, quando um marginal vai preso, em virtude da nossa legislação e da nossa estrutura carcerária, ele sai livre da delegacia em muitos casos, antes mesmo do policial que o prendeu terminar de preencher a “papelada”.

Nos Estados Unidos, se o marginal atira contra um policial a população e a mídia, ficam consternadas, no Brasil, se o marginal atira contra um policial, tanto a população como a mídia, encaram isso simplesmente como um “risco da profissão”.

Nos Estados Unidos, se um marginal atirar contra um policial a pena é severa, no Brasil, se um marginal atirar contra um policial ele fica famoso, principalmente entre seus comparsas.

Essas comparações acima descritas são para que percebam que não tem como comparar dois países com estruturas e culturas tão distintas.

Mas agora vou explanar a minha visão sobre o porquê aumentou o número de confrontos entre policiais e marginais.

Quando a população (os marginais que estão incluídos nesse contexto) ouvem os responsáveis pela segurança de nosso Estado e infelizmente não é diferente nos demais Estados, virem a público dizer que as cadeias estão superlotadas, que não tem como receber mais presos e que muitas estão interditadas pela justiça por falta de condições; que não tem policiais civis em número suficiente para dar conta dos processos, e conforme edição da Gazeta do Povo do dia 16 de novembro de 2013, que o número de Delegados da Polícia Civil diminuiu de 2009 para 2013 de 415 para 331 e que o número de Comarcas sem Delegados aumentou no mesmo período de nenhuma para 43 e que a muito tempo só estão ficando presos apenas aqueles que não têm como responder em liberdade.

Essa mesma informação repassada por parte de nossas autoridades e que é recorrente nos últimos anos foi alterando o comportamento dos marginais, pois como sabem que apesar de cometerem crimes, mas que em virtude da “falência da estrutura de segurança pública”, a probabilidade de ficarem impunes é muito grande e que independente de reagirem ou não contra uma abordagem da polícia, mesmo que sejam presos, em pouco tempo, quer seja por falta de espaço ou pelas facilidades que nossa legislação oferece para que se responda aos processos em liberdade, logo estarão livres para cometerem novos crimes E caso venham a ferir ou mesmo matar um policial, para eles isso é como um “troféu”, pois além da impunidade ainda ficam famosos entre seus comparsas de crime e da mesma forma quando matam um cidadão comum.

Porém, o que nossa sociedade ainda não associou, é que essa alteração de comportamento não foi direcionada somente contra os policiais, mas contra toda a população.

Todos os dias, presenciamos mais e mais cenas de violência “gratuita” durante assaltos, onde vemos pessoas inocentes perdendo a vida em situações inimagináveis alguns anos atrás.

E essa mudança de comportamento não ocorreu apenas nos grandes centros, mas também nas pequenas cidades onde até a pouco tempo a tranquilidade e a segurança eram coisas comuns, mas onde hoje também vivem com medo da violência.

Diante dessa nova realidade, os policiais foram se moldando a esse aumento da violência por parte dos marginais e a consequência direta foi uma reação mais violenta, que acabou se transformando num aumento do número de confrontos e consequentemente um maior número de óbitos. Por isso temos que olhar o problema de uma forma mais ampla, que nesse caso são os números de óbitos em confronto com a polícia, mas também estudar a mudança do comportamento dos marginais e o que levou a isso. Aí, quem sabe possamos cobrar das autoridades uma melhora em toda a estrutura de segurança do Estado, tanto na parte estrutural como humana e principalmente na legislação penal, onde com certeza o resultado direto seria que os ladrões que chegam a ser presos inúmeras vezes num único ano, ficassem presos respondessem por seus crimes,

Se o Estado fizer corretamente o seu papel de legislador e gestor, com certeza, os resultados de ações, eficientes e eficazes refletirão diretamente numa diminuição do número de confrontos e número de mortes por parte da polícia, mas principalmente no comportamento dos marginais que irão “matar” menos inocentes de nossa sociedade, pois terão a certeza de que caso venham a cometer esse tipo de violência, a justiça será feita e que serão penalizados de imediato, o que não acontece hoje.

Nunca esqueça PREVENIR é sempre o melhor remédio.

O Coronel Jorge Costa Filho é consultor em segurança. Formado em Administração de Empresas, tem doutorado em Segurança Pública. Profissional experiente, já comandou a Polícia Militar em Curitiba