De tempos em tempos vemos notícias comemorando que alguns índices de violência diminuíram.

Num primeiro momento, a população pode até querer acreditar que sua cidade ou seu Estado está mais seguro, mas ao sair de casa e se deparar com a realidade das ruas percebe que o noticiado não é tão real assim.

Hoje, o cidadão ao ser vítima de um criminoso, seja ela decorrente de um furto, de um roubo ou de qualquer outro tipo de violência, ele pensa várias vezes se vai ou não formular sua queixa, pois se for durante o dia ainda terá a opção de ir a uma delegacia próxima ao local onde ocorreu o fato, mas se for a noite ele já terá menos opções, já que são poucos os pontos de atendimento a população.

E mesmo que se disponha a ir até a delegacia, ainda há uma grande probabilidade de não conseguir realizar o Boletim de Ocorrência (BO), não por má vontade dos policiais que lá se encontram de plantão, mas pela sobrecarga de trabalho e pelo pouco efetivo para dar conta de todo a demanda.

Em muitos casos a vítima é orientada a se dirigir no próximo dia útil a uma delegacia próxima ao local onde ocorreu o fato. Mas dependendo da natureza do crime e da necessidade de ser formulado o BO, a grande maioria das pessoas não retornam, quer seja por que não querem ou não podem faltar ao serviço ou por perceberem que mesmo que venham a realizar o confecção do BO, provavelmente não haverá infraestrutura para que seja realizada uma investigação e que os criminosos dificilmente serão processados e condenados pelo crime cometido.

Essa sensação de impunidade a cada dia que passa está ficando mais evidente, pois nossa legislação em virtude da grande quantidade de recursos que oferece, não consegue dar uma resposta rápida, eficiente e eficaz.

Se forem os processados, maiores de idade ou mesmo menores de idade, atualmente em virtude do volume de processos, pela falta de profissionais para dar conta da demanda, quer seja na Polícia Científica, na Polícia Civil, no Ministério Público ou no Poder Judiciário, essa demora irá propiciar aos que respondem aos processos que sejam os mesmos colocados em liberdade e nesse ínterim com certeza irão cometer outros crimes.

Tal afirmação pode ser confirmada ao se verificar junto aos que chegaram a ser condenados e se encontram no sistema penitenciário, o número de processos a que estão respondendo e em quantos processos seus nomes estavam vinculados até que tenha sido condenado em definitivo em algum dos processos.

E não se surpreendam se a maioria afirmar que respondem a um mínimo de cinco processos.

É essa realidade que faz com que o cidadão pense e muito em ir à uma delegacia de polícia formular um BO.

Infelizmente esse comportamento acaba mascarando a realidade da violência, pois sem os registros oficiais não há como se ter uma real visão da violência.

Ou se faz uma mudança profunda em nossa estrutura de governo, onde o cidadão passe a cobrar mais efetivamente de seus representantes e que tenha em sua memória em quais políticos votou e cobre de seus representantes medidas eficazes, pois infelizmente a grande maioria da população nem lembra em quais candidatos votaram nas últimas eleições e essa falta de comprometimento e de cobrança é que nos faz termos essa realidade de impunidade em todos os segmentos de nossa sociedade.

A população tem que ser mais consciente de seus direitos, mas sem esquecer de que deve também cumprir com suas obrigações e responsabilidades como cidadão.

Se tiverem alguma dúvida ou alguma pergunta, as encaminhem para o meu e-mail[email protected]

* O Coronel Jorge Costa Filho é consultor em segurança. Formado em Administração de Empresas, tem doutorado em Segurança Pública. Profissional experiente, já comandou a Polícia Militar em Curitiba.