agua diaAno Internacional da Água. Certamente este tema não parece interessante. Soa com ar de demagogia ou até mesmo de mais uma data comemorativa.

Mas certamente ao ler este artigo,você repensará a utilização da água. Me parece difícil de falar sobre a importância deste tema pela obviedade do mesmo. Tenho a certeza plena de que temos tratado a água com indiferença e desprezo. Como se ela não fosse importante para nossa sobrevivência.

Damos mais valor aos carros,a tecnologia e ao petróleo do que a água. São vários os fatores a serem avaliados e refletidos sobre a água.

A ONU declarou 2013 como o “Ano Internacional da Cooperação pela Água” com o objetivo de aumentar a conscientização sobre os desafios da gestão, acesso, distribuição e serviços relacionados a este recurso cada vez mais escasso no planeta.

A campanha vai destacar ao longo do ano, iniciativas de cooperação de sucesso de água, bem como identificar problemas candentes sobre educação, água, a diplomacia da água, gestão de águas transfronteiriças, a cooperação de financiamento, nacionais e internacionais, quadros legais e as ligações com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Também será uma oportunidade para retomar os assuntos relacionados criados em 2012 na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), e apoiar a criação de novos objetivos para o desenvolvimento sustentável dos recursos hídricos.

A ideia é também chamar a atenção da sociedade civil, empresas e governos para as questões relacionadas à água e saneamento básico, combatendo problemas como a falta de acesso à água potável para cerca de 11% e de redes de esgoto para 37% das pessoas no mundo, e morte de cerca de cinco mil crianças diariamente por doenças causadas pela falta de acesso à água de qualidade.

O Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, teve um significado especial neste ano: a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) elegeu 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água. O objetivo é conscientizar as populações sobre o significado do precioso líquido para a vida e a sustentabilidade da Terra.

Trata-se de um propósito relevante, pois estudos da ONU reiteram um diagnóstico preocupante: mais de um bilhão de indivíduos (o equivalente a 18% da população mundial) não contam com a quantidade mínima aceitável de água potável, carência que se estenderá a dois terços da humanidade (5,5 bilhões de pessoas) já em 2025, caso não se encontrem soluções eficazes. Há, ainda, o risco de que, em 2050, apenas um quarto disponha de quantidade diária suficiente para satisfazer suas necessidades básicas. A escassez também tem forte impacto negativo na área da saúde: 1,7 bilhão de pessoas não têm acesso a sistemas de saneamento básico e 2,2 milhões morrem a cada ano em todo o mundo por consumir água contaminada e contrair doenças como diarreia e malária.

A água ocupa 70% da superfície do Planeta. Porém, a maior parte (97%) é salgada. Apenas 3% do total são constituídos por água doce, o suficiente, segundo a ONU, para atender de modo pleno às necessidades da humanidade, se não houvesse tanto desperdício e poluição. Do total de água doce, 0,01% está em rios, disponível para uso. O restante encontra-se em geleiras, icebergs e subsolos muito profundos. Apesar dos volumes escassos, são as reservas de rios, lagos e lençóis subterrâneos as que utilizamos para produzir alimentos e colheitas, as que mantêm a biodiversidade e os ciclos de nutrientes e atividades humanas.

Nesse contexto, o Brasil tem posição privilegiada, pois detém a maior reserva de água doce, com cerca de 13% do total disponível no planeta. Entretanto, mais de 80% concentram-se em estados pouco povoados da Amazônia e na bacia do rio Tocantins, enquanto regiões do Nordeste sofrem com as secas e a escassez de sistemas de irrigação, segundo relatórios da Agência Nacional de Águas. Não bastassem esses desequilíbrios regionais, determinados pela natureza, há o problema da poluição por resíduos urbanos e industriais, principalmente nas grandes cidades, causado pelo ser humano como subproduto da ausência de planejamento urbano adequado.

Quase todos os municípios brasileiros (99,4%) contam com rede de abastecimento, mas uma em cada cinco casas não têm água encanada, como revela estudo do IBGE. Tal deficiência também decorre do planejamento precário. Além disso, as cem maiores cidades brasileiras desperdiçam anualmente cerca de 2,5 trilhões de litros de água, perdidos em encanamentos velhos, vazamentos, ligações clandestinas e demais problemas na rede de distribuição. O volume que jogamos fora seria suficiente para abastecer durante um ano inteiro todos os 41 milhões de habitantes do estado de São Paulo, esclarece o Instituto Trata Brasil.

Não resolveremos esses problemas sem encarar a realidade. Enquanto a burocracia e o rigor de normas e leis excessivamente limitantes dificultam a realização de projetos urbano-residenciais com água encanada e tratada, redes de esgotos e saneamento básico adequado, há enorme complacência com o uso irregular do solo, a construção irregular de bairros inteiros em áreas devolutas e/ou impróprias para habitações, a poluição de mananciais e as ligações clandestinas.

Precisamos utilizar com sabedoria nossa imensa reserva de água doce. Caso contrário, acabaremos tendo escassez, pois o desperdício e a utilização equivocada não aceitam desaforos. É preciso aproveitar a oportunidade aberta pelo Ano Internacional da Cooperação pela Água para uma ampla reflexão sobre como estamos tratando essa questão no Brasil. Ainda há tempo para mudarmos práticas e conceitos e aproveitarmos de modo mais correto o que a natureza nos concedeu.

Prejuízo em números: desperdício de água tratada causa perda de bilhões de reais

Tanto cuidado ao descaso que deveriam ser tomados já deveriam ter sido percebidos, assimilados e corrigidos. Se a água sofreu agressões e contaminações, se em muitas partes do mundo ela já se tornou escassa e se nas grandes regiões metropolitanas do país é necessário buscar o líquido em lugares cada vez mais distantes, temos agora consciência dos desafios e das ações urgentes para mudar essa realidade?

Certamente ainda não! Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Trata Brasil constatou que, as empresas responsáveis pelo tratamento de água no Brasil, perdem em média 35,7% ou cerca de 10 bilhões de reais de faturamento causados por vazamentos, ligações clandestinas e problemas de medição, entre seus principais fatores.

Os problemas de vazamento decorrem da idade avançada e falta de manutenção de boa parte das instalações e encanamentos existentes. As maiores perdas ocorrem no Norte (51,55%) e no Nordeste (44,93%), regiões nas quais as suas populações estão acostumadas a sofrer muito com problemas de abastecimento de água.

Em comparação ao Japão, o desperdício das empresas de tratamento de água não passa de 3%.

Assim sendo, meu desejo que você leitor, se conscientize de que a água, nosso bem tão precioso, seja preservado,cuidado e tratado com respeito e a devida importância para que nosso futuro não seja ainda mais atingido do que já é. Compartilhe essa ideia, sejamos multiplicadores dessa cultura.

Um brinde à água!

 * Evandro Razzoto é professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), consultor e palestrante ambiental. Além disso, escreveu o livro Eco Sustentabilidade: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável, em que fala principalmente sobre como conciliar os três pilares da sustentabilidade (crescimento econômico, responsabilidade social e preservação ambiental) na gestão e marketing das empresas.