Os mais de 600 mil turistas estrangeiros e os 3 milhões de brasileiros que circularem no país durante a Copa do Mundo poderão usar um aplicativo de celular ou um guia na internet para se integrar ao Passaporte Verde, uma iniciativa do Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (Pnuma), que está sendo relançada neste ano no Brasil para estimular o turismo sustentável durante o Mundial.

passaporte verdeO Passaporte Verde foi apresentado na segunda-feira (2) a empresários do Rio de Janeiro na Jornada da Sustentabilidade, que já passou por Salvador e visitará também Brasília, São Paulo e Belo Horizonte.

Com 60 roteiros verdes, a iniciativa envolve as 12 cidades-sede da Copa. As atividades que fazem parte da programação foram escolhidas para valorizar ações como o uso dos transportes públicos, a hospedagem em estabelecimentos sustentáveis e o contato com a natureza e com costumes locais.

Com a proximidade da Copa, que será aberta no dia 12 deste mês, um dos objetivos da campanha é quebrar mitos como o de que a sustentabilidade é difícil de ser implementada e torna os serviços mais caros, explicou o consultor do Pnuma. “Propomos ações simples, como reduzir o consumo de água e de energia elétrica dos estabelecimentos, o que, no fim das contas, contribui para reduzir os custos operacionais.”

Os estabelecimentos que se inscreverem na campanha entram no mapeamento virtual do Passaporte Verde e aparecem como opções para turistas que estejam usando o aplicativo nas proximidades, por exemplo. Para envolver os viajantes, a campanha conta com ações de marketing e engajamento digital pela internet, como acúmulo de pontos em seu perfil na rede social e compartilhamentos em outras redes. O slogan da campanha, “Eu cuido do meu destino”, será espalhado em postos de informação e na internet, onde dicas que vão desde como arrumar a mala até a saída do país podem ser conferidas.

De acordo com dados apresentados pelo Pnuma, um turista gasta, em média, três vezes mais água e produz duas vezes mais resíduos. Na Copa, a estimativa do programa da ONU é que 76% das emissões de gases sejam geradas em serviços aos turistas, principalmente em seu deslocamento de avião, a infraestrutura produza 16% e os estádios, 5%.

Empresários presentes ao encontro questionaram o fato de cidades fluminenses como Paraty, onde o Passaporte Verde começou no Brasil, em 2008, e Teresópolis, onde há parte do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, estarem fora do programa. Sousa explicou que os destinos foram selecionados em conjunto com as secretarias de Turismo e Meio Ambiente dos estados e privilegiaram, entre outros critérios, locais mais próximos das cidade-sedes do Mundial.

Este é um grande desafio de nosso país. Na realidade este cenário é bem comum em outros países. Estabelecer uma integração entre o turismo, meio ambiente e sustentabilidade, deve ser parte integrante deste cenário. Acredito que mesmo com os investimentos durante a Copa, é preciso muito mais do que isto. Ë preciso que a sociedade, autoridades e órgãos estejam unidos em prol de formatar leis e ações para que a cultura da sustentabilidade faça parte de nosso dia a dia. Meu desejo de que tenhamos ações efetivas na busca de um Planeta melhor.

* Evandro Razzoto é professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), consultor e palestrante ambiental. Além disso, escreveu o livro Eco Sustentabilidade: Dicas para tornar você e sua empresa sustentável, em que fala principalmente sobre como conciliar os três pilares da sustentabilidade (crescimento econômico, responsabilidade social e preservação ambiental) na gestão e marketing das empresas