Bill Gates – Foto: Olhar Digital

 

Há mais de 20 anos, Bill Gates, que se tornou o homem mais rico do mundo, que fundou a Microsoft, que foi peça fundamental para que pudéssemos ter computadores pessoais (hoje mais real do que nunca pois a maioria das pessoas tem seu próprio), escrevia o texto “Content is King” (O conteúdo é Rei).

Foi no ano de 1996, muito antes de existirem Instagram, Google, YouTube e muito menos cursos online, que Bill Gates escreveu esse artigo prevendo a explosão dos conteúdos e sua importância como ferramenta, o que é uma realidade perfeita nos dias de hoje.

Encontrei o artigo completo (depois de procurar muito), e como achei muito rico conhecer a visão incrível deste mega empreendedor, que há 22 anos “previa” o que estamos vivendo hoje, decidi traduzir para você. Espero que você aprecie e aproveite tanto quanto eu:

O conteúdo é Rei – por Bill Gates (03/01/1996)

“O conteúdo é onde eu espero que muito do dinheiro real seja feito na Internet, assim como foi na transmissão por rádio e televisão.

A revolução da televisão, que começou há meio século, gerou uma série de indústrias, incluindo a fabricação de aparelhos de TV, mas os vencedores de longo prazo foram aqueles que usaram o meio para fornecer informações e entretenimento.

Quando se trata de uma rede interativa como a Internet, a definição de “conteúdo” se torna muito ampla. Por exemplo, o software de computador é uma forma de conteúdo – uma extremamente importante, e o que, para a Microsoft, continuará sendo de longe a mais importante.

Mas as amplas oportunidades para a maioria das empresas envolvem o fornecimento de informações ou entretenimento. Nenhuma empresa é pequena demais para participar.

Uma das coisas mais interessantes sobre a Internet é que qualquer pessoa com um computador e um modem pode publicar qualquer conteúdo que possa criar. De certa forma a Internet é a multimídia equivalente à fotocopiadora. Ela permite que o material seja duplicado a baixo custo, independentemente do tamanho do público.

A Internet também permite que as informações sejam distribuídas em todo o mundo a um custo marginal basicamente zero para o editor. As oportunidades são notáveis e muitas empresas estão fazendo planos de criar conteúdo para a Internet.

Por exemplo, a rede de televisão NBC e a Microsoft recentemente concordaram em entrar juntas no negócio de notícias interativas. Nossas empresas terão em conjunto uma rede de notícias a cabo, a MSNBC, e um serviço de notícias interativo na Internet. A NBC manterá o controle editorial sobre a parceria.

Espero que as sociedades vejam uma intensa competição – e um amplo fracasso, bem como sucesso – em todas as categorias de conteúdo popular – não apenas software e notícias, mas também jogos, entretenimento, programação esportiva, diretórios, anúncios classificados e comunidades on-line dedicadas a grandes interesses.

Revistas impressas têm leitores que compartilham interesses comuns. É fácil imaginar essas comunidades sendo veiculadas por edições on-line eletrônicas.

Mas, para ter sucesso on-line, uma revista não pode simplesmente pegar o que está impresso e movê-lo para a esfera eletrônica. Não há profundidade ou interatividade suficiente no conteúdo impresso para superar as desvantagens do meio on-line.

Se for esperado que as pessoas suportem a ativação de um computador para ler uma tela, elas devem ser recompensadas com informações profundas e extremamente atualizadas que possam ser exploradas à vontade. Eles precisam ter áudio e possivelmente vídeo. Eles precisam de uma oportunidade de envolvimento pessoal que vá muito além do que é oferecido através das páginas de cartas para o editor de revistas impressas.

Uma questão em muitas mentes é: com que frequência a mesma empresa que atende a um grupo de interesse com conteúdo impresso terá sucesso em veiculá-lo on-line. Mesmo o futuro de certas revistas impressas está sendo questionado em função da Internet.

Por exemplo, a Internet já está revolucionando o intercâmbio de informações científicas especializadas. As revistas científicas impressas tendem a ter pequenas circulações, tornando-as caras. As bibliotecas universitárias são uma grande parte do mercado. Tem sido uma maneira pouco prática, lenta e cara de distribuir informações para um público especializado, mas ainda não havia uma alternativa.

Agora, alguns pesquisadores estão começando a usar a Internet para publicar descobertas científicas. A prática desafia o futuro de algumas publicações impressas veneráveis.

Com o tempo, a amplitude da informação na Internet será enorme, o que a tornará atraente. Embora a atmosfera da corrida do ouro hoje esteja basicamente confinada aos Estados Unidos, espero que ela varra o mundo à medida que os custos de comunicação caiam e uma massa crítica de conteúdo localizado se torne disponível em diferentes países.

Para que a Internet prospere, os provedores de conteúdo devem ser pagos pelo seu trabalho. As perspectivas de longo prazo são boas, mas espero muita decepção no curto prazo, já que as empresas de conteúdo lutam para ganhar dinheiro com publicidade ou assinaturas. Ainda não está funcionando, e pode não funcionar por algum tempo.

Até agora, pelo menos, a maior parte do dinheiro e do esforço investidos na publicação interativa é pouco mais que um trabalho de amor ou um esforço para ajudar a promover produtos vendidos no mundo não eletrônico. Muitas vezes, esses esforços são baseados na crença de que, com o tempo, alguém descobrirá como obter receita.

A longo prazo, a publicidade é promissora. Uma vantagem da publicidade interativa é que uma mensagem inicial precisa apenas atrair atenção, em vez de transmitir muita informação. Um usuário pode clicar no anúncio para obter informações adicionais, e um anunciante pode avaliar se as pessoas estão fazendo isso.

Mas hoje a quantidade de receita de assinatura ou receita de publicidade realizada na Internet é quase zero – talvez $ 20 ou $ 30 milhões de dólares no total. Os anunciantes são sempre um pouco relutantes quanto a um novo meio, e a Internet é certamente nova e diferente.

Alguma relutância por parte dos anunciantes pode ser justificada, porque muitos usuários da Internet estão menos entusiasmados com a publicidade. Uma razão é que muitos anunciantes usam imagens grandes que levam muito tempo para serem baixadas através de uma conexão discada telefônica. Um anúncio de revista ocupa espaço também, mas um leitor pode virar uma página impressa rapidamente.

Com as conexões de Internet ficando mais rápidas, o aborrecimento de esperar para carregar um anúncio irá diminuir e na sequencia desaparecer. Mas isso ainda irá levar alguns anos.

Algumas empresas de conteúdo estão experimentando assinaturas, muitas vezes com a atração de algum conteúdo gratuito. Porém é complicado, porque assim que uma comunidade eletrônica cobra uma assinatura, o número de pessoas que visitam o site cai drasticamente, reduzindo a proposta de valor para os anunciantes.

A principal razão de pagar pelo conteúdo não funcionar muito bem, ainda, é que é não é viável cobrar um valor baixo. O custo e os desafios das transações eletrônicas tornam impraticável cobrar menos do que uma taxa de assinatura razoavelmente alta.

Mas, dentro de um ano, os mecanismos estarão disponíveis para permitir que os provedores de conteúdo cobrem apenas um centavo ou alguns centavos por informações. Se você decidir visitar uma página que custa um centavo, não precisará fazer um cheque nem receberá um boleto no valor de um centavo. Basta clicar no que deseja, sabendo que será cobrado um centavo e isso será somado numa base.

Essa tecnologia liberará os editores para cobrar pequenas quantias de dinheiro, na esperança de atrair audiências amplas.

Aqueles que obtiverem sucesso irão impulsionar a Internet como um mercado de ideias, experiências e produtos – um mercado de conteúdo.”

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