Cida Borghetti: dá exemplo. Poucos a seguem.

Isso mesmo: há promessas políticas que, feitas no afogadilho, na hora de conquistar apoios ao governo, acabaram gerando um imbroglio sem fim. E, por vezes, com repercussão até no universo do reino dos céus.

Dou como o exemplo o ocorrido com “promissor” candidato a deputado federal, alegadamente apoiado por diversas igrejas evangélicas (suposta grande moeda de troca neste país). Na hora das conversações para seu ingresso num certo partido, só ouviu “sim, sim, sim.”

HIPNOTIZAR COBRAS

“Tudo o que eu pedisse, naquele dia, nada me seria negado”, foi o que lhe garantiu o interlocutor oficioso, porta-voz governamental.

O poderoso porta-voz seria conhecido pela capacidade “de até hipnotizar cobras”, segundo o define um deputado federal do MDB, que o conhece bem há muitos anos. Exageros à parte, o homem tem algumas qualidades (boas) comprovadas.

SIM, SIM, SIM

As concordâncias não surpreenderam o proponente e pré-candidato. Até porque ele jamais aceitaria um “não” à sua ampla ‘lista de trocas’.

Assim, listou, em alentada página de petitórios, inclusive horários na TV Educativa do Governo para programas de, pelo menos, 12 igrejas.

Duas delas sendo microigrejas. E, até por isso, mais sequiosas de espaço audiovisual.

‘LÍDER EVANGÉLICO’

Desta forma, o autointitulado “líder evangélico” assinou a ficha partidária de sigla pró Governo mediante a promessa de que sua lista de indicados a cargos em comissão e horário na TV Educativa seria atendida. No caso dos cargos, “modestas”, 50 nomeações. Um exagero, claro, de parte do político, mas que foi bem aceita pelo porta-voz.

As nomeações não saíram até quarta, 9, de manhã. Na verdade, essas e as demais nomeações, decorrentes de tantas outras composições e acertos políticos, continuavam sendo alguns dos mistérios mais bem guardados na atual Casa Civil.

A BOCA DO BALÃO

O raciocínio de um deputado da base do governo – expresso em voz alta -, é de que a “culpa não é do Sperafico, nem de Cida”.

Para ele, o que aconteceu “simplesmente, foi que as promessas, muitas delas sem apoio legal, superestimaram a realidade da máquina pública”. Para ele, uma lei da Física deve ser considerada: “só se ocupa um lugar se ele existir”.

CIDA, A UBÍQUA

Em meio a todo esse clima de balbúrdia administrativa reinante no neo Governo, a presença de Cida Borghetti é a benfazeja notícia e melhor certeza. Ela está compensando o açodamento de alguns de seus assessores e a incapacidade de outros em colocarem a casa em ordem.

A governadora não para, parece mesmo ter o dom da ubiquidade, aquele que caracterizou Santo Antonio de Pádua: dá a impressão de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Atende a audiências, comanda secretários, inaugura obras, anuncia recursos para obras públicas, visita frentes de trabalho, acolhe educadores, busca recursos em Brasília…

ELES NUNCA ESTÃO

Enquanto Cida Borghetti está surpreendendo muitos por sua enorme capacidade de trabalho, há secretários e assessores seus que cedo – muito cedo, especialmente num governo de curta duração – vão expondo velhos cacoetes de empachados pelo poder: não atendem meios de comunicação, nunca estão disponíveis para interlocutores preferenciais do Governo (como parlamentares), e repetem velhas e surradas ordens não mais aceitáveis nos dias de hoje na administração pública:

– O secretário (ou outro cargo) está em reunião…

As pobres secretárias nem conseguem disfarçar a ‘mentira piedosa’ que são obrigadas a passar adiante. Mas são ordens.

“SIC TRANSIT…”

Essa cantilena de certos secretários e auxiliares de Cida podia justificar-se em outros tempos, e no início, meio e fim de passados governos. Não no de Cida. Até porque ela dá um exemplo admirável de quanto tem noção do “sic transit gloria mundi”.

De quão passageira é a glória do mundo (e do poder).

E mais do que essa noção da fragilidade do poder, a inteligente Cida Borghetti tem projeto de vida pública que envolve tempos muito além dos raquíticos oito meses restantes deste 2018.


PARQUE TECNOLÓGICO DE ITAIPU TEM NOVO SUPERINTENDENTE

Boa notícia para o mundo da ciência e dos preservacionistas ambientais

Jorge Augusto Callado: o homem certo; Marcos Stamm: confiança irrestrita

O biólogo Jorge Augusto Callado, que foi secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná e ocupava o cargo de assessor técnico da Diretoria Geral Brasileira da Itaipu, é o novo diretor superintendente da Fundação Parque Tecnológico Itaipu (Fundação PTI).

Ele assume no lugar de Ramiro Wahrhaftig, que estava na função desde maio de 2017.

É O TERCEIRO

Callado é o terceiro diretor superintendente da história do PTI, criado há 14 anos. Antes de Ramiro, Juan Sotuyo ficou à frente da fundação por 13 anos.

Indicado pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Marcos Stamm, o nome de Jorge Callado foi referendado (avaliado e aprovado) nesta terça-feira (8) pelo Conselho Curador do PTI. Ele cumpre os requisitos para o cargo, como formação e experiência. A previsão é de que o novo diretor seja empossado pelos conselheiros no dia 17 de maio.

UNIVERSIDADES, PESQUISAS

A Fundação PTI é a instituição responsável pela gestão e manutenção do Parque Tecnológico Itaipu, onde estão instalados universidades, empresas incubadas e laboratórios de pesquisa e são desenvolvidos projetos e ações, inclusive aqueles voltados ao desenvolvimento socioeconômico da região Oeste do Paraná.

INTERLOCUÇÃO

Antes de assumir a nova função, o diretor superintendente do PTI ocupava um papel estratégico na Itaipu, como assessor da Diretoria Geral Brasileira. Jorge Callado atuou como homem de confiança de Stamm desde que o atual diretor-geral ocupava a cadeira de diretor financeiro executivo. Callado era responsável pela interlocução institucional da empresa com organismos internos e instituições de fora, entre elas a Organização das Nações Unidas (ONU).

OBJETIVO E VISIONÁRIO

Considerado objetivo e prático, mas extremamente humano e visionário, Callado tem como desafio buscar a conexão das questões referentes ao PTI e Itaipu com as ações de desenvolvimento de toda a região, especialmente na área de influência da usina e do próprio PTI, que é uma espécie de “braço” da usina.


DEU NA FOLHA DE S. PAULO: “OS CLIENTES OCULTOS DE JOAQUIM BARBOSA”

(Por Luiz Weber)

Ministro Joaquim Barbosa: trabalho legítimo, mas…; Empresário Jorge Luiz Cruz Monteiro, da Refinaria de Manguinhos

Joaquim Barbosa tem um segredo. O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, depois de 41 anos no serviço público, foi advogar. Em 2014, virou parecerista. Um parecer é um documento que serve para robustecer determinada tese defendida por advogado de uma causa. O parecerista não vai aos tribunais. Seu trabalho torna vistosa uma petição, impressiona o julgador.

PARECERISTA

No mercado de pareceristas, o topo da cadeia alimentar é ocupado pelos ministros aposentados do STF. São grife na veia. E cada parecer costuma sair por R$ 300 mil – isso por baixo. Barbosa, que desistiu de ser candidato à Presidência, é um parecerista bem-sucedido.

TEMOR DE DEVASSA

Nos bastidores, ele apontou como motivos adicionais para sua saída da corrida eleitoral a manutenção financeira de oito parentes e o temor de uma devassa em sua vida. Joaquim é um homem íntegro, insuspeito. Não tem o que temer. Advogados não se confundem com seus clientes. Mas entre eles se forma um liame comercial, contratual. Personificação interrompida do que seria o novo na política, Barbosa faz questão de manter essa relação negocial à certa sombra.

RELAÇÕES PERIGOSAS

Como ministro aposentado (o cargo é vitalício), Barbosa carrega a autoridade do posto já ocupado por onde passa. Seus negócios privados atraem uma atenção legítima. E mais. O próprio ministro reuniu em livro uma seleção de pareceres que indica uma trilha a ser percorrida por todo aquele que queira descobrir com quem o ministro se relacionou comercialmente desde que saiu do STF.

PRO BONO

No livro “Pareceres Jurídicos –Direito Penal, Direito Regulatório, Direito Tributário, Responsabilidade Civil”, editado pela Almedina em 2017, há transcrição de seis pareceres em favor de grandes clientes privados. São nove no total, mas Barbosa redigiu também documentos pro bono (expressão latina que significa “para o bem”, gratuitos).

RED LINE

A lista de clientes de Barbosa inclui alvos da Polícia Federal, presidente de refinaria, operadores de portos. Não poderia ser diferente – só procura advogado quem precisa defender sua inocência contra eventuais abusos do Estado. Ex-integrante do Ministério Público Federal e ministro do Supremo, Barbosa sabe bem quando o Estado cruza a red line em desfavor do cidadão.

CLIENTELA

Mas há algo intrigante no tratamento que Barbosa dispensa no livro a seus clientes. Deliberadamente, ele omite dados que permitiriam identificar mais facilmente os processos e casos. Pode ser uma gentileza do autor, um desejo de preservar identidades que se encontram, até injustamente, diante da Justiça. Talvez uma obrigação contratual que o impeça. Mas, na maior parte, são casos públicos, com as partes identificadas nos tribunais. Ou seja, o segredo sobre as empresas e empresários que contrataram direta ou indiretamente o ministro aposentado só existe para os leitores de Joaquim Barbosa.

REFINARIA MANGUINHOS

Por exemplo, ao redigir um parecer em favor do empresário Jorge Luiz Cruz Monteiro, presidente da Refinaria Manguinhos, que fora denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suposta fraude em informações apresentadas à Receita Estadual sobre ICMS, Barbosa assim apresenta o caso: “O ilustre advogado C.O. solicita-me a elaboração de parecer sobre a atual situação jurídica do Sr. JLCM (qualificação), considerando-se a denúncia oferecida nos autos XXXX, em tramitação na XX Vara Criminal da Comarca da Capital do Rio de Janeiro”. Não há no livro nenhuma menção à refinaria, a seu presidente, ao nome por extenso, que só uma apuração em tribunais e com advogados permitiu conhecer.

HONRA-ME COM A CONSULTA

Em outro caso, o ministro aposentado assim inicia seu documento: “A Associação XXXX, por intermédio de seu presidente, Sr. A.S, honra-me com esta consulta acerca da obrigatoriedade de outorga de autorização para empresas estrangeiras de navegação prestarem serviços de transporte de mercadorias na navegação de longo curso brasileira”. Nesse caso, é apenas uma consulta, algo para subsidiar o litígio entre a Associação do Usuário de Portos do Rio de Janeiro e a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), chamada por Barbosa de “Agência XX”.

MAIS UM PARECER

Em mais um parecer, o ministro, desta vez acionado diretamente por um empresário que chegou a ser detido durante uma operação da PF que mirou fraudes tributárias, assim descreve o caso, abusando mais uma vez dos “X”: “O senhor NFP” realiza consulta sobre o “Acórdão XXXXXXXXXX, na sessão de XXXXX”… “sendo que consulta veio acompanhada dos seguintes documentos: cópias dos autos da (a) Ação de Execução Fiscal XXXXXX, cópia da Medida Cautelar Fiscal XXXXXX e cópia do PAF XXXXXX”. Em apenas um período do livro, com cinco linhas, Barbosa substituiu os números originais – e públicos, pois são acórdãos publicados pelo Conselho de Contribuintes, órgão do Ministério da Fazenda – por 33 “X”.

GRANDE X

Apontado até sua renúncia como a incógnita da eleição, Barbosa evitou falar nesse período sobre suas ideias, seus projetos para o país.

Lendo-o, descobre-se que o ministro aposentado guarda mais segredos, que sua candidatura era um grande X.

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