Gilberto de Carvalho: fazendo ‘lobby’ por Lula

O ex-ministro Gilberto Carvalho vive em nova frente de batalha pró libertação de Lula: na quinta-feira fazia lobby junto ao ministro Alexandre de Moraes (STF). O alvo é mudar o voto do ministro, até agora a favor de prisões a partir de segunda instância.

Nesse lobby, Gilberto conjugava o mesmo clamor de Michel Temer, que nomeou o ministro Moreira Franco, contra a prisão a partir de condenação em corte de segundo grau.

A entourage de Temer tem muitos companheiros na fila de eventuais condenações na justiça.

ENTRE PALOTINOS

Gilbertinho, como Carvalho é conhecido, fez toda sua iniciação política em Curitiba, primeiro como seminarista da Congregação dos Padres Palotinos, no enorme seminário do Cajuru, à beira da BR-277. Dali se encaminhou, plenos anos 1970, para uma ampla radicalização, passando a viver em uma favela às margens do Rio Belém. Lá morou com outros palotinos por uns dois anos, enquanto continuava cursando Teologia no Studium Theologicum de Curitiba.

Natural do Norte do Paraná, Gilberto foi fruto da intensa catequese dos padres palotinos na região, onde sua “vocação sacerdotal” foi identificada, assim como o foram a de tantos outros contemporâneos seus. Naqueles dias, “fervia” a chamada Teologia da Libertação de Leonardo Boff e Gutierrez.

OUTROS CAMINHOS

Gilberto Carvalho não perseverou nos caminhos do sacerdócio. Casaria nos anos 1980, quando foi escolhido por lideranças da Arquidiocese de Curitiba (na época, dom Pedro Fedalto) para comandar a Pastoral Operária, braço da igreja local no mundo do trabalho.

BENÇÃO DO CARDEAL

Logo que fundado o PT por Lula, e com as bênçãos do então pároco de Santo André, hoje cardeal dom Cláudio Hummes, Gilberto mergulhou por inteiro no Partido dos Trabalhadores. Lembro perfeitamente que em 1986 Gilberto me visitou na antiga sede do Diário Indústria & Comércio, Travessa Itararé, 62, para apresentar uma das propostas do partido, o tema “fé e política”. Ouvi-o atentamente, não me converti à causa. Mas mantivemo-nos fraternos cristãos. Embora, a rigor, não mais tenha mantido contato pessoal com ele.

AMIGO PRIVILEGIADO

Naqueles dias Gilberto já era um dos mais próximos de Lula, e o encarregado da formação política dos quadros do PT, então uma promessa de legenda ética e renovadora da política brasileira. Ficou na promessa.

LIVRO CONTA TUDO

No livro “Jornal Voz do Paraná – uma História de Resistência”, que o jornalista Diego Antonelli escreveu – e cujo lançamento deverá ocorrer este ano -, Gilberto Carvalho, ainda seminarista, aparece como um dos assíduos frequentadores do semanário de orientação católica que eu dirigia. Ele passava, por vezes horas, conversando sobre temas políticos e a ação da igreja em resistência ao regime ditatorial então vigente.

Quase sempre acompanhava-se de outro seminarista, seu amigo Francisco Alves dos Santos, jornalista e crítico de cinema, ex-diretor da Cinemateca de Curitiba. Chico era colaborador do jornal.

BURLANDO A CENSURA

O livro é uma preciosidade, recuperando momentos da imprensa do Paraná, particularmente depoimentos de quem viveu a grande aventura do semanário Voz do Paraná. O semanário se notabilizou por conseguir, de alguma forma, burlar a censura que a Polícia Federal impunha à imprensa.

Depoimentos de Maí Nascimento Mendonça, Celso Nascimento, Dante Mendonça, Francisco José de Abreu Duarte , Lúcia Nórcio, e apresentação de um dos mais importantes atores do jornalismo paranaense daqueles dias – Hélio Puglielli – completam o trabalho de ampla pesquisa.

MEU PAPEL NO JORNAL

Meu papel em Voz do Paraná foi o de dirigir o jornal, como diretor de redação, e também superintendente da empresa; braço direito do médico Roaldo Koehler.

Por vezes, tive a desagradável oportunidade de atender a censores da PF, ou simplesmente dar meu “visto” nos famosos bilhetinhos de censura. O melhor das funções era decidir sobre a pauta que, com o tempo, acabou resultando num jornal acatado pela sociedade abrangente. Numa distância necessária das sacristias, imperativo para o crescimento no mundo da mídia de então, muito dependente do mundo impresso.

OS CONTROLADORES, HOMENS DA DIREITA

Koehler capitaneava um grupo de profissionais liberais de orientação católica que controlava o jornal e a gráfica Voz do Paraná, instalados à Rua Francisco Scremin, 1865, no Ahú/Centro Cívico.

Os donos da Voz do Paraná eram notórios homens da chamada direita política. O mais expressivo deles, do ponto de vista político, Euro Brandão, que depois seria ministro da Educação em substituição a Ney Braga, e mais tarde, reitor da PUCPR. Mas graças à visão democrática de Roaldo (e ações nossas, dos jornalistas) o semanário católico acabou abrigando profissionais que não encontravam emprego em outras redações; nomes como Teresa Urban, Milton Ivan Heller, Luiz Manfredini, Benedito Pires Trindade.

EXPULSO DE CUBA, HERÓI “MAQUIS”

Enfim, o livro de Antonelli é preciosidade da chamada estante paranaense, em que registra ainda a presença constante na redação do histórico padre Ives Pouliquen, então secretário da CNBB Sul 2, um missionário francês que chegou a ser apontado como “comunista” pelo regime dos anos 1970/80.

Pouliquen passara como missionário em Cuba, de que fora expulso sob a acusação de ser “agente do imperialismo”.

O padre, herói dos ‘maquis’ – a resistência aos nazistas na França -, costumava explicar tantas contradições, dizendo: “Quando se vive o cristianismo, tornamo-nos sinal de contradição”.

Diego Antonelli: livro histórico sobre Voz do Paraná; Maí Nascimento Mendonça: depoimento; Celso Nascimento: longa entrevista; Francisco José de Abreu Duarte: esteve lá; Dom Pedro Fedalto

MARCOS STAMM ASSUMIU ITAIPU

Marcos Stamm: empossado, como anunciado; João Arruda: deputado da vez?

Na tarde de sexta-feira, 14, o diretor financeiro de Itaipu, Marcos Stamm, assumiu interinamente a direção geral da Binacional Itaipu, em cerimônia “sem pompas”, na sede da empresa em Curitiba.

A coluna registrara em primeira mão, na semana, a indicação de Stamm, que é cota do PMDB, ala Orlando Pessuti e Sergio Souza, com o apoio – segundo observadores – “também de Cida Borghetti e de deputado Ricardo Barros”.

Stamm, de amplo trânsito na empresa binacional e apoio em muitas frentes da chamada sociedade abrangente, estará já nesta segunda, 16, na Argentina, em missão oficial.

Todos os assessores detentores de cargo em comissão, da Direção Geral anterior, já estavam desligados da empresa.

Ainda segundo fontes, caberá ao grupo político do deputado João Arruda (PMDB Requião) indicar posições que se abrem na Binacional com a nova configuração na Direção Geral.

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