O ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo: enredado em denúncia envolvendo a Odebrecht.

O ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Roldo: enredado em denúncia envolvendo a Odebrecht.

Deonilson Roldo, o antigo repórter pobre, vindo de Pato Branco para trabalhar nos jornais O Estado do Paraná e Folha do Londrina, anos 1980, merece ainda ser tratado como inocente. Não sei até quando.

Mas o fato é que   nos últimos quatro dias ele se tornou um personagem nacional, freqüentando os mais assistidos telejornais, ganhando espaço nos jornalões de Rio e São Paulo e  revistas do país, além do universo enorme das redes sociais. Tudo por conta de seu papel  agora desvelado,  de duplo secretário de Estado e suposto comandante de um balcão de  negócios,  em que pediria propina em troca de obras públicas.  E sobre o qual  o juiz Sérgio Moro deverá lançar seu olhar implacável.

TONY GARCIA VEM AÍ

Beto Richa foi enfático: não  autorizou ninguém a falar por ele, disse em sua defesa nesse episódico catastrófico e que apenas está se esboçando. E cujos desdobramentos tornam-se  imprevisíveis, com a entrada em jogo de Tony Garcia, cujo conhecimento com Moro dispensa apresentação, é histórico.

Tony e Beto foram,  por anos, vistos como  almas gêmeas ligadas pelo kart e outros lazeres. No momento, estariam na fase de “amor e ódio”. Assim, Tony promete  estar logo  no Jornal Nacional, entornando mais o  caldo, segundo informa Fábio Campana. Suas revelações, essas sim, serão dignas de um grande “thriller” em que o dinheiro público é o móvel de inúmeros crimes. A conferir.

MILAGRE” DEONILSON

O “milagre” Deonilson não é obra do acaso: nos últimos 14 anos, como secretário de Beto Richa e  seu principal conselheiro na Prefeitura de Curitiba (por seis anos) e por oito anos no Governo do Estado,  consolidou-se como alguém essencial para o filho de José Richa. Cedo, os olhos e ouvidos políticos mais atentos foram percebendo que a ligação do dois era, além de  fraterna, também de apoio mútuo. Cedo também, por isso, Deonilson, identificado por seu sotaque ítalo-eclesiástico comum a descendentes de italianos do Sul,  foi se tornando um intocável: todo o estabelecimento e aparato estatais o protegiam amplamente. Tornou-se um condestável. Ele tinha códigos muito pessoais de governança:  por exemplo, não atendia telefonemas senão os que lhe interessassem de alguma forma. Empresários, só recebia aqueles que estivessem na ponta do PIB estadual. Dizem,antigos auxiliares dele, que  Roldo  estabelecera um “índex”, com nome,sobrenome, profissão  e telefones de “chatos” que deveriam ser sistematicamente barrados, tanto em telefonemas quando em tentativas de audiência. Na verdade, eram pessoas e entidades que não interessavam ao  mundo imediato do Maquiavel  da Província.

TODO-PODEROSO
O poder de Deonilson era enorme.O que pode ser avaliado pelas duas áreas vitais que ele controlava com mão de ferro: a chefia de Gabinete do Governador e a Secretaria de Comunicação Social (nesta, ora presente por meio de “vigários” seus). Ninguém desconhece quão enorme são os tentáculos do Estado nessas duas áreas, para o bem e para o mal.

Agraciado no início do atual governo com um cargo de diretor de Gestão Empresarial da Copel – com salário de R$ 50 mil -, Deonilson continuava  com ar de poderoso. Afinal, a posição fora prebenda final a esse filho de família humilde,jornalista de raquítico histórico profissional, agora também apresentado como “dono de restaurante”.

A casa de pasto ajuda a explicar a vida de um burguês bem estabelecido na praça, e que não conseguia mais manter o comportamento interiorano  dos tempos em que Mussa José Assis o preparou para o jornalismo. Curiosamente, outro homem de Pato Branco – esse com capacidade comprovada – passa a ter papel vital no gabinete de Cida Borghetti: o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra. (leia nota acima)

ALCENI GUERRA, O REFORÇO NO GABINETE DE CIDA

O ex-ministro da Saúde, Alceni Guerra: "primus inter pares" no espaço essencial da governança.

O ex-ministro da Saúde, Alceni Guerra: “primus inter pares” no espaço essencial da governança.

Não é  preciso apresentar Alceni Guerra, que nesta semana, talvez já nesta segunda, assume uma posição vital no gabinete da Governadora Cida Borghetti. O ex-ministro da Saúde, ex-deputado, ex-prefeito (fez revolução digital de dimensões internacionais) de Pato Branco, vai reforçar o staff imediato da governadora.
Guerra não assumirá em lugar de ninguém. Ele será um dos assessores especiais da Governadora. Isso não exclui o fato de que será  uma espécie de “primus inter pares” naquele espaço essencial da governança, “para que a equipe ande junto com a a impressionante dinâmica da governadora”, explicou  neste domingo um deputado federal do PP,pedindo anonimato “para evitar ciumeiras”.

Salve o  Alceni Guerra, que tem história, criatividade, currículo e, muito  importante, é cidadão ficha limpa.

PS: Nada além de  terem nascido e sido criados na mesma Pato Branco une Alceni e o ex-poderoso chefe de gabinete de Beto Richa, Deonilson Roldo. (Leia texto acima)

5 NOTAS E ½

picler bernardo andré

O professor Wilson Picler (de camisa branca), ao lado de André Peixoto (esq.) e Jorge Bernardi durante debate no auditório da Uninter, no prédio do Garcez: o dilema da prisão em segunda instância.

DEBATE QUENTE

A prisão de condenados em segunda instância, que contraria o dispositivo constitucional do trânsito em julgado, esquentou o debate acerca da Democracia e da Soberania Popular, sábado (12), na Uninter. O professor de Direito, André Peixoto, defendeu uma lei que antecipe o dispositivo para a segunda instância, legitimando, assim o preceito constitucional. “Prender em sede de execução é inconstitucional”, afirmou, referindo-se ao ex-presidente Lula, que começou a cumprir a sentença de 12 anos e 1 mês no caso do tríplex do Guaruja, na superintendência da PF.

CHAME O PLEBISCITO

O mantenedor da Uninter, Wilson Picler, exibiu pesquisa encomendada em abril (o instituto não foi nominado), em que 70,4% dos entrevistados afirmaram ser favoráveis à prisão em segunda instância ante 20% contrários. Picler defendeu um plebiscito para confirmar a vontade popular e acusou os parlamentares de não convocá-lo porque 1/3 de seus membros responderia a processo.

INTERVENÇÃO MILITAR

Falando para um público de cerca de 100 pessoas, no auditório do edifício Garcez, tombado pelo patrimônio histórico, Picler revelou ainda o descrédito da população com a democracia ao apontar os favoráveis à intervenção militar na pesquisa: 59% contra 34%.

PRÁTICA COMUM

Picler lembrou também que, no período de 1941 a 1988, antes da entrada em vigor da nova Constituição, a prisão em segunda instância era prática no sistema penal.

SAIA JUSTA

Por fim, o mantenedor da Uninter, em dia inspirado, lembrou à audiência que o vice-reitor da instituição, Jorge Bernardi, sentado ao seu lado, fora um entusiasta do “parlamentarismo com rei”.  Votou no plebiscito de 1993 a favor da monarquia e do parlamentarismo. Bernardi sorriu amarelo e admitiu, mas disse que mudou de posição. Hoje ele é pré-candidato ao governo do Paraná pela Rede, o partido de Marina Silva.

MAGDO

“Quem nunca deu um tapa no bumbum do filho e depois se arrependeu”

(Do deputado federal e pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro, do PSL, desqualificando o documento secreto de 1974, da CIA, que revela que Ernesto Geisel aprovou a continuidade de execuções sumárias de adversários da ditadura militar)