Aldo Rebello: fazendo acordos no PR

No universo das confabulações políticas, há muitas novidades nesta fase inicial do Governo Cida.

Há, no período, realidades que passam nem sempre bem detalhadas para a plateia. São trabalhos de bastidores, geralmente desenvolvidos, no caso atual do Paraná, pelo mago das articulações que é Ricardo Barros.

Assim, sugiro que se entenda mais amplamente a indicação de Paulo Rossi (que até gora estaria no aprisco de Ratinho Junior) para a Secretaria Estadual do Trabalho. Ela foi acertada pelo Aldo Rebelo, ex-ministro e condestável do PCdoB, com Barros.

Há indicativos que Rossi deverá colocar o movimento sindical do Estado para apoiar Gomyde a deputado federal.

Gomyde: parte do projeto

O sindicalista Rossi foi superintendente da Secretaria Municipal do Trabalho, no segundo Governo Beto Richa na Prefeitura. O secretário era Jorge Bernardi.

PENITENCIÁRIAS

Outra parte do pacote é a Secretaria Especial de Administração Penitenciaria, que será criada e o nome indicado será ligado ao sindicato de agentes penitenciários, que vai apoiar Ricardo Gomyde.

E Gomyde assumiu compromisso de dobrar com a Maria Vitória, preferencialmente.


ESPIRITISMO JUDAICO EXISTE, NÃO É FICÇÃO

Andréa Kogan: surpresas

Na comunidade judaica de São Paulo o nome de Roberto Muszkat é bem conhecido como homem de espírito e alguém que impulsionou com seus testemunhos e um livro – “Quando se pretende falar da vida” – o kardecismo entre judeus paulistanos.

É isso mesmo: Muszkat foi um dos pilares do chamado espiritismo judaico em São Paulo. Fato agora explicado em livro de uma acadêmica.

ANDRÉA KOGAN

O tema, interessante do ponto de vista antropológico, sem falar em aspectos teológicos e do conhecimento da Bíblia, está no recém lançado “Espiritismo Judaico”, livro de Andréa Kogan, Edição da Labrador Universitário.

QUATRO ANOS

A pesquisa envolveu quatro anos de imersão nesse novo mundo, em sessões da chamada “mesa branca” em que famílias judaicas brasileiras figuram – já desencarnadas, ou seja, mortas – comunicando-se com seus parentes e amigos.

JUDAÍSMO PLURAL

Andréa, formada em Língua e Literatura Inglesa pela PUCSP é doutora em Ciência da Religião pela mesma universidade. Para avalizar sua pesquisa de quatro anos, realizada na Capital paulista, inédita, a pesquisadora do Núcleo de Estudos de Mística e Santidade da mesma PUCSP expõe curiosidades que envolveram seu trabalho de sessões do chamado ‘Evangelho no Lar’. São as sessões espíritas de doutrinação e contatos com os chamados desencarnados.

PONDÉ ORIENTOU

Luiz Felipe Pondé: orientador

Orientada por Luiz Felipe Pondé, Andréa pode surpreender os mais ortodoxos de seu povo. Esses judeus que adotam o espiritismo em suas vidas, não veem contradições a superar, diz Kogan. São homens e mulheres que se abrem a uma pluralidade religiosa sem deixar de lado a sua identidade de filhos de Abrão, Isaac e Jacó.

Muitas das referências de Andréa centram-se em citações do Rebbe Menachem Lubavitcher, a mais importante referência mística do judaísmo contemporâneo.

TERRITORIALIZAÇÃO

Rebbe Lubavitcher místico

A pesquisa bibliográfica de Andrea Kogan envolve muitos ângulos. Um deles, a da chamada territorialização dos judeus em São Paulo, e introdução à mística judaica, tal como analisada por Walter Rehfeld.

E o mais interessante é a visão do chamado pós judaísmo no século 21, que a pesquisadora foi encontrar na Argentina, nos livros de Sztajnszrajber, editados pela Prometeo Libros.

Esses judeus paulistanos divididos em dupla identidade religiosa, assumem sem problemas os ensinamentos kardecistas de que Jesus é um profeta “e um espírito iluminado. O maior de todos”.

Vale a leitura.


CRISTÓVÃO TEZZA VÊ O BRASIL DE DILMA PELAS LENTES DA FICÇÃO

Cristóvão Tezza (André Tezza Consentino/O Globo)

Em sua obra mais famosa – “O Filho Eterno” –, o escritor catarinense radicado no Paraná, Cristóvão Tezza, 65, conta a história de quando, em Portugal, para uma temporada estudo e trabalho, não necessariamente nessa ordem, recebia de um parente, a cada mês, uma nota de 100 dólares pelo correio. Era suficiente para garantir-lhe a sobrevivência até que outro envelope, contendo cédula do mesmo valor, fosse depositado sob sua porta. Fato ou ficção, Tezza disse que o dinheiro era proveniente do cofre de governador de São Paulo, Ademar de Barros, roubado na casa de sua amante por guerrilheiros perspicazes, entre eles uma certa Dilma Rousseff.

UNHA E CARNE

O livro “Tirania do Amor”, que chega às livrarias do país, parece retomar, ainda que como pano de fundo, esse fio condutor na obra de Tezza, naquilo que a contemporaneidade brasileira tem de mais perigoso: a casta de privilegiados do serviço público, a imposição da identidade e o conceito de democracia racial importado em um país de miscigenação ímpar. No quesito economia, o escritor não tem pruridos em comparar, de forma nada sutil, as políticas econômicas de Ernesto Geisel e Dilma Rousseff. Para Tezza, unha e carne em seu estatismo irracional.

“A TIRANIA DO AMOR”, CRISTÓVÃO TEZZA, TODAVIA, 176 PÁGS., R$ 49,90.

TEZZA TEM UMA TESE

Em entrevista que concedeu à Folha de S. Paulo, publicada na edição desta terça (24), Tezza não é econômico nas críticas ao esquerdismo dos intelectuais, pululando, em sua maioria, nas universidades públicas.

Tezza tem uma tese, com o perdão do trocadilho: diz que o intelectual, no Brasil, é de esquerda porque, “do ponto de vista institucional”, ela é organicamente estatizante. “Temos um amor ao Estado… Todos, do milionário ao pobre”, afirma. Diz um pouco sobre o perfil do homem cordial, propenso ao conforto e à modorra das repartições. Avesso, por consequência, ao empreendedorismo e o que dele emana: a produtividade.

REDUCIONISMO

O ficcionista tem um histórico de esquerda em um quadro em que ela se anulou. Principalmente em questões que se tornaram “reducionistas” e avassaladoramente irracionais.

SE NÃO É NEGRO, NÃO PODE ESCREVER SOBRE NEGRO

Não por acaso, a história se passa em 2017. Não há por que mascarar essa realidade de circo mambembe. Tezza guarda especial horror ao discurso identitário tão em voga nos dias de hoje. Já ouviu que não tem direito a lançar mão de personagens negros em seus romances porque não é negro.

“Se não posso representar um outro, realmente acabou”. Em “Tirania do Amor”, não por acaso, o pai da personagem é negro e a mãe, branca. “É a situação de milhões de pessoas no Brasil, é o país mais miscigenado do mundo”, diz.

ELE INSISTE E DESISTE

Tezza insiste: “Não vou defender Gilberto Freyre” (o autor de “Casa Grande & Senzala” e da ideia de bacanal de raças sob as ordens do senhor). Mas desiste: “O racismo americano tem a ideia da gota de sangue [negro] que condena [alguém]. Tentam importar essa teoria, isso não faz o mais remoto sentido no Brasil”.

ANTES O ABACATE

Ah sim, ele fala de Lula. “As pessoas não estão preocupadas com a prisão [do ex-presidente], mas com o preço do abacate”. Ora, se não houve uma quebra institucional brutal, o Brasil continua. Sem governo e andando sozinho.


PAULO ROSSI, DA UGT, SERÁ SECRETÁRIO DO TRABAHO

Paulo Rossi: sindicalista no poder

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), seção Paraná, Paulo Rossi, será o secretário estadual do Trabalho e Relações com a Comunidade. É a primeira vez que um líder sindicalista assume o cargo no primeiro escalão. Nem mesmo na época do governo “à esquerda” de Requião, alguém do mundo do trabalho ficou responsável pela articulação com os trabalhadores.

PEDIDO DOS TRABALHADORES

A recriação da secretaria da área era uma reivindicação do Conselho Estadual do Trabalho – entidade formada por representantes do governo, dos trabalhadores e dos empresários. A nomeação do parnanguara deve ser confirmada nos próximos dias pela governadora Cida Borghetti.

(blog de Fábio Campana, 2